Governo garante que desemprego está controlado apesar de ter subido

A taxa de desemprego subiu para 6,4% em novembro de 2022, o valor mais elevado desde julho de 2021.
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O secretário de Estado do Trabalho, Miguel Fontes, defendeu esta sexta-feira, em declarações à Lusa, que a taxa de desemprego em Portugal está controlada, explicando que os 6,4% registados em novembro são impactados pela sazonalidade.

"Os dados que o INE [Instituto Nacional de Estatística] revela devem ser lidos, obviamente com cautela, e sabendo-os enquadrar naquilo que é o momento do ano em que estamos a viver. Em novembro temos sempre, historicamente, uma subida do desemprego, o que é facilmente justificável pela sazonalidade e pelo emprego criado no verão [...]. Felizmente, temos uma taxa de desemprego muito baixa e controlada", afirmou Miguel Fontes, à Lusa.

A taxa de desemprego subiu para 6,4% em novembro de 2022, o valor mais elevado desde julho de 2021 e que compara com 6,0% em outubro e 6,2% em novembro de 2021, segundo dados provisórios divulgados esta sexta-feira pelo INE.

De acordo com as Estimativas Mensais de Emprego e Desemprego do INE, "em novembro de 2022 a taxa de desemprego aumentou para 6,4%, o valor mais elevado desde julho de 2021, quando foi de 6,6%".

Este destaque do INE reviu em baixa a taxa de desemprego de outubro do ano passado dos inicialmente estimados 6,1% para 6,0%.

Em novembro de 2022, o INE estima que a população ativa (5.198,4 mil) tenha tido um decréscimo, em relação ao mês anterior, de 1,8 mil pessoas (a que corresponde uma variação relativa quase nula) e que tenha aumentado 0,5% em relação a novembro de 2021.

"O que me parece verdadeiramente importante sublinhar é que nunca tivemos tanta gente a trabalhar como ao longo desde ano 2022. Posso dizer que este é o maior ano de sempre de população empregada desde que há registo. Chegámos aos cinco milhões de pessoas em termos de trabalhadores em Portugal. Um número muito significativo", defendeu o governante.

Conforme destacou, Portugal já recuperou mesmo os níveis pré-pandemia e, face a 2015, existe mais meio milhão de trabalhadores.

Miguel Fontes precisou que há mais 123 mil pessoas a trabalhar do que antes da pandemia de covid-19, resultado das medidas que evitaram a destruição do emprego.

Para o governante, o país tem sabido crescer economicamente, mantendo uma trajetória de sustentabilidade das contas públicas, indicadores que dão confiança em termos de emprego.

Questionado se o Governo acredita que esta trajetória irá manter-se nos próximos meses, o secretário de Estado disse só ser possível ter uma perspetiva da variação tendo em conta o histórico dos últimos anos.

Assim, o governo não está a contar "com uma situação de aumento significativo do desemprego".

Contudo, ressalvou que a única coisa "que se pode ter por certo é o incerto", recordando fatores como a guerra na Ucrânia.

"Temos que ter a humildade de ir acompanhando os números e de ver como eles são contornados, procurando que as pessoas que ficam em situação de desemprego possam regressar, o mais rápido possível, ao mercado de trabalho", concluiu.

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