O porta-voz do Governo iraniano, Ali Akbar Javanfekr, acusou a Presidente brasileira, Dilma Rousseff, de ter "golpeado" as boas relações entre Brasília e Teerão, referindo que o ex-chefe de Estado Lula da Silva está a fazer "muita falta".
"Ela [Dilma Rousseff] destruiu anos de bom relacionamento", afirmou o porta-voz pessoal de Ahmadinejad ao Folha de São Paulo.
Ao que parece o "desinteresse" do Brasil nas relações
bilaterais com o Irão tem gerado retaliações por parte da nação persa,
que opta por reter produtos brasileiros nas fronteiras.
Segundo o mesmo periódico, os importadores iranianos terão recebido ordens para reduzir o fluxo de importações do Brasil. E as empresas brasileiras de carne confirmaram ter sido
afetadas com a retenção de toneladas de mercadorias perecíveis nas
alfândegas ou ainda o cancelamento de compras, sem justificação.
Na semana passada, o embaixador iraniano no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, afirmara o contrário, ao ter garantido que as relações entre as duas nações "continuam as mesmas".
Na ocasião, o embaixador minimizou o facto de o Presidente iraniano ter visitado quatro países da América Latina sem ter passado pelo Brasil e garantiu que uma visita ocorreria "em breve".
De acordo com a Folha de São Paulo, no entanto, tal visita ocorrerá no âmbito da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável - Rio+20 - quando todos os chefes de Estado e de Governo das nações que compõem o sistema ONU deverão estar presentes.
O Governo de Lula da Silva manteve uma política de grande proximidade com o Irão, especialmente durante o seu último mandato (2007/2010).
Em 2009, Ahmadinejad encontrou-se com Lula da Silva, em Brasília, e a visita foi retribuída pelo líder brasileiro no ano seguinte.
No mesmo ano, o Brasil chegou a mediar, ao lado da Turquia, um acordo entre o Irão e os Estados Unidos a respeito do programa nuclear iraniano.
Em março deste ano, já sob o Governo de Dilma Rousseff, o Brasil votou a favor da abertura de uma investigação sobre direitos humanos no Irão, o que foi considerado por muitos analistas como uma reviravolta nas relações do país com o Irão.
Oficialmente, no entanto, a posição do Ministério das Relações Exteriores brasileiro é de que não houve mudanças na política externa.
O saldo na balança comercial entre o Brasil e o Irão é amplamente
favorável para o Brasil, que importou 33 milhões de dólares (cerca de
25,4 milhões de euros) do país persa, entre janeiro e novembro de 2011,
face a exportações de 2,26 mil milhões de dólares (aproximadamente 1,74
mil milhões de euros) no mesmo período.