A aposta nas energias renováveis é para continuar e intensificar. Esta foi a principal mensagem deixada no primeiro dia do Lisbon Energy Summit, que decorre até quinta-feira na FIL, em Lisboa, e onde marcaram presença os ministros do Ambiente e das Infraestruturas. "Tendo em conta o potencial de Portugal em termos das energias renováveis e combustíveis alternativos, queremos colocar o país na linha da frente para a produção de combustíveis sustentáveis na aviação", afirmou João Galamba perante uma plateia de investidores nacionais e internacionais.
Galamba mostrou-se confiante na capacidade de Portugal se afirmar no mercado internacional, não apenas pelo "número interessante de projetos para produzir SAF [combustíveis sustentáveis de aviação]", como também pelo compromisso do governo em assegurar "as condições legislativas e regulatórias certas" para potenciar este mercado.
Além de um ambiente propício ao investimento em alternativas aos combustíveis fósseis, o ministro com a tutela da TAP quer que a companhia "tire todo o partido das oportunidades existentes na transição energética". "A TAP não é apenas uma companhia que transporta pessoas e bens, transporta combustível. E transportar combustível é um ativo no contexto da transição energética", acrescentou.
Embora reconheça o desafio inerente ao processo de descarbonização, João Galamba não tem dúvidas de que esta transformação traz oportunidades e admite que os governos precisam de criar parcerias entre si, mas também com os privados para atingir o sucesso. "Estamos comprometidos em garantir uma transição energética com preços acessíveis e que também crie valor para a nossa economia", afirmou.
Durante a intervenção no Lisbon Energy Summit, Duarte Cordeiro recordou que "Portugal é o quarto país da União Europeia com maior percentagem de energias renováveis na produção elétrica" e voltou a frisar o objetivo estabelecido pelo governo para 2026: atingir 80% de renováveis na produção. A par com investimentos na energia solar e na eólica, o ministro do Ambiente e da Ação Climática apontou o "potencial" das renováveis nas áreas marítimas e assegurou que, a este propósito, o primeiro leilão de produção offshore "será lançado ainda este ano". "Acreditamos que estes mercados offshore têm um alto potencial para o desenvolvimento económico e social das áreas costeiras", reforçou.
A primeira manhã do evento internacional, que se prolonga até quinta-feira, contou ainda com um painel que juntou os líderes da EDP e da Galp, entre outros representantes do setor energético. O destaque do debate sobre "Perspetivas da transição energética europeia: endereçar o trilema energético - segurança, acessibilidade e descarbonização" voltou a ser a importância de reforçar os investimentos nas renováveis, não apenas como meio para a neutralidade carbónica, mas também para proteger a soberania europeia.
"Não ter gás russo é mau para o ambiente", assinalou o CEO da Galp, Filipe Silva, que lembra que as consequências do conflito na Ucrânia traduziram-se no aumento do consumo de combustíveis fósseis. "Estamos a queimar mais combustíveis fósseis", disse. A aposta nas energias verdes é, por isso, fundamental para retomar o caminho de redução dos fósseis, ainda que existam alguns desafios pelo caminho. Para Filipe Silva, "a competitividade da Europa está em risco" pelo custo elevado do gás natural, que considera importante na transição energética, e que o CEO da Galp diz ser "cinco vezes superior ao custo nos EUA".
Por outro lado, consideram João Manso Neto, CEO da Greenvolt, e Miguel Stilwell d"Andrade, CEO da EDP, o excesso de burocracia na UE deve ser um alvo a abater. "A Europa precisa de estar muito mais focada em simplificar os procedimentos", considera o líder da EDP, que acrescenta, com ironia, que "foi mais fácil construir o Nord Stream do que fazer a ligação [do corredor energético verde] entre Portugal e França". Manso Neto reconhece que "a UE tomou medidas no sentido de reduzir a burocracia", nomeadamente na produção descentralizada de energia, mas diz ser preciso um esforço maior. "Precisamos de mais comunidades de energia e de menos burocracia nas autorizações, mas precisamos também que os maiores proprietários na Europa, que são os governos, deem o exemplo. É preciso por os Estados a utilizar o seu património", sublinhou.