Granadeiro. Não joguei "bóia de salvação" de 900 milhões a Salgado

"Em relação a qualquer compromisso de compra de títulos, não houve qualquer compromisso", diz Henrique Granadeiro, ex-chairman da PT, quando questionado se teria havido uma contrapartida pelo apoio do BES durante a OPA da Sonae.
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"Compromissos de dividendos fizeram parte da nossa estratégia de atração dos acionistas para o nosso projeto", admite o gestor. "Não é com os 10% do BES que se ganha uma OPA", frisa.

Porque é que, havendo uma parceria estratégica com o BES e Caixa, é que o BES tem a maioria da gestão de tesouraria da PT ao longo de uma década, atingindo 80% em 2013, pergunta Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda.

"Quando dizemos que há um acordo de preferência, obviamente que não é exclusividade ou que deva ultrapassar as regras de mercado, que é a única que nos devemos nortear", diz Granadeiro. "O BES tinha equipa extremamente qualificada nas empresas e nesses produtos é um facto universalmente conhecido", diz. "O jogo é aberto". "Não há boleias nessa área", diz.

Como não há comprovativo de que foram feitos comparativos, segundo a auditoria da PwC?, questiona a deputada."Vejo com inveja que tem o relatório da PwC. A mim não mo deram. Negaram-mo", comenta.

"É impossível que a PwC tenha uma visão completa desta informação, sem ter acesso aos registos electrónicos destas operações, cujo acesso não lhe terá sido negado pela companhia", diz o gestor.

"Não tenho dúvida" que foram feitas consultas ao mercado, garante Granadeiro. "Há um check list de coisas que são feitas", reforça.

Sobre a questão da preferência entre os parceiros, Granadeiro lembra que os dividendos da venda da Vivo foram repartidos entre o BES e a Caixa "e a Caixa só tinha 6% da PT".

Mas, porque é que a PT tinha 90% da sua tesouraria aplicadas no BES, quando havia a política da operadora de diversificar a sua carteira de aplicações?, insiste Mortágua.

"Fazer consultas ao mercado não significa automaticamente diversificação", diz Granadeiro.

Quem decidiu investir 400 ou 500 milhões no BES/GES? Havia delegação no CEO, CFO "desde que não ultrapassasse os 180 dias", diz Granadeiro. "Trata-se muitas vezes do somatório de várias aplicações. Uma mulher grávida nove meses, não é o mesmo que nove mulheres grávidas um mês", acrescenta.

Como se processou a passagem das aplicações do ESI para a Rioforte?, questiona Mortágua.

"Penso que o Dr. Ricardo Salgado numa conversa que tivemos falou-me nisso", admite. "Foi o próprio BES que propôs a transferência de aplicações ESI para a Rioforte", diz.

"A história, um pouco romântica, que eu vi o Dr. Salgado a afogar-se a esbracejar e que lhe joguei uma bóia de 900 milhões é até um pouco infantil", diz Granadeiro.

O antigo gestor admite ter autorizado uma aplicação de 200 milhões, mas os restantes mais de 600 "terão de ser encontrados outros responsáveis", diz o gestor, dizendo "acreditar" que terão sido já feitas no âmbito da PT Portugal que "já tinha a gestão centralizada de tesouraria".

"Amílcar Morais Pires comigo não negociou nada", reforça, lembrando apenas ter sido abordado por Ricardo Salgado da necessidade das "aplicações habituais na ESI terem de ser transferidas para a Rioforte", dada a proximidade do cash flow e o facto da Rioforte ser a cabeça do braço não financeiro do GES.

"Só conseguimos as contas da Rioforte em junho. Se tivéssemos tido as contas antes nunca tinha havido aplicações em Rioforte", garante Granadeiro. "Havia uma confiança alicerçada em 13 anos de relação, sem uma única falha", reforça.

"Nunca combinei com Ricardo Salgado nenhuma operação. Nem nessa, nem noutra", diz Granadeiro, desmentindo a informação prestada por Amílcar Morais Pires à auditoria da PwC de que as aplicações em Rioforte tinham sido combinadas com Granadeiro e Zeinal Bava.

Renovação da aplicação de 200 milhões, "foi uma proposta que veio do BES", diz Granadeiro. Ricardo Salgado teve conversa com Pacheco Melo que depois terá tido outras reuniões.

"Achei que deveria assumir a responsabilidade sobre esta operação", diz. Sobre as restantes, "a minha convicção é que a partir de 25 de março que se estabelece a transferência da gestão de tesouraria em que foi feito a maioria dos contratos passaram para a PT Portugal, na tal gestão integral de gestão de tesouraria", diz.

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