Inovação no solar dá Grande Prémio a escola da Amadora

Projeto foi o que envolveu mais alunos e escolas, tendo inclusive extravasado a sua área de influência para estabelecimentos de outros distritos.
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A Escola 2,3 D. Francisco Manuel de Melo, da Amadora, foi a grande vencedora do Prémio Energy Up, promovido pela Fundação Galp, com o "Projeto INOV D, Inova a tua Escola, Inova Portugal". O estabelecimento de ensino foi o que apresentou a candidatura mais abrangente, em grande medida fruto de todo um trabalho feito desde 2005, data em que o projeto teve início. E foi essa abrangência, a par de um projeto muito completo (e complexo), que incluiu uma listagem de todas as ações já feitas assim como a perspetiva de continuidade, que, segundo Raquel Soares dos Santos, coordenadora de Educação e Mobilização para a Educação Sustentável da Sair da Casca, que é a empresa que faz a implementação do projeto educativo com a Fundação Galp, fez com que o júri decidisse atribuir-lhe o galardão da segunda edição do Prémio Energy Up.

A escola conseguiu, ao longo deste tempo, passar a mensagem a outras escolas do país, o que permite que, após a reforma do responsável, em agosto deste ano, a continuidade do mesmo esteja assegurada.
Concretamente a candidatura vencedora incluiu a construção de protótipos solares fotovoltaicos (carros e fornos solares). Neste ano os estudantes foram ainda desafiados a resolverem problemas complexos e futuristas com recurso a ferramentas como o design thinking. Os alunos, por exemplo, simularam uma empresa para o ano 2050, que será sustentável ao nível do uso da energia e comercializará produtos amigos do ambiente.

O Prémio Energy Up vai na segunda edição, mas a ligação da Fundação Galp às escolas começou há 12 anos, quando começou a sensibilizar os mais novos para os objetivos sustentáveis. Ao "apanhar" os mais novos está-se a cativar também os professores e os pais, tendo como intuito chegar a toda a comunidade.

O aparecimento da Galp Solar (anteriormente ei energia independente) é a prova de que a Galp está a fazer uma aposta muito forte na energia descentralizada - instalação de painéis fotovoltaicos para garantir a autoprodução, reduzir a pegada carbónica e ser mais eficiente do ponto de vista energético. Uma realidade de negócio que, para Diogo Sousa, diretor executivo da Fundação Galp, faz todo o sentido levar para as escolas. Foi assim que nasceu o Prémio Energy Up, em que o grande vencedor leva 20 mil euros em painéis fotovoltaicos através da Galp Solar. "Isto para nós é garantir impacto na comunidade, de longo prazo, dando o braço ao nosso próprio negócio e à nossa própria transformação", acrescenta.

A ideia foi sempre a de abarcar os mais novos - o prémio abarca o primeiro, segundo e terceiro ciclos, assim como o ensino secundário e/ou profissional. Mas, principalmente os professores que, na opinião de Diogo Sousa, costumam ser absolutamente fantásticos. "São pessoas com enorme iniciativa, um enorme sentido de compromisso e de dever e que contribuem fortemente para este tipo de educação no contexto da sustentabilidade das crianças", diz, acrescentando que os alunos que trabalham estes projetos já o estavam a fazer. O prémio funciona como um reforço, um incentivo e um reconhecimento.

A segunda edição recebeu mais de 50 candidaturas de 14 distritos de norte a sul do país e ainda do arquipélago da Madeira. Sendo que a ligação da Galp Solar não se fica pela entrega do prémio. Como explicou ao Dinheiro Vivo Alfonso Ortal Sevilla, CEO da Galp Solar, a empresa vai depois à escola vencedora para preparar a instalação dos painéis solares. A vencedora do ano passado, por exemplo, viu serem instalados 24 kW (quilowatts) de painéis solares, o que permite que a escola poupe 3500 euros por ano. Uma ligação que o CEO da Galp Solar quer fazer, novamente, com a vencedora deste ano, a Escola 2,3 D. Francisco Manuel de Melo, na Amadora. "Para nós é um compromisso muito importante, que as novas gerações, as escolas, as comunidades, estejam a apostar e a acreditar na energia solar".

A prova reside nos temas das candidaturas. Como refere Diogo Sousa, em ambas as edições houve uma grande preocupação com a mobilidade e com a micro mobilidade em particular. As crianças pensam em soluções para retirar os carros das escolas, em incorporar a bicicleta no dia-a-dia. A par disto, houve os projetos de eficiência energética - formas de a escola conseguir poupar. Sem esquecer o "como usar, de forma o mais criativa possível, os painéis fotovoltaicos". Seja para carros ou fornos solares.

Diogo Sousa aponta ainda uma outra área onde os alunos mostraram estar preocupados. Na utilização de terrenos em benefício da escola, sejam hortas, ou projetos de economia circular em que os produtos são vendidos no mercado local.

E não se pense que as candidaturas são projetos incompletos. Pelo contrário. Diogo Sousa confessa que "já piscou o olho" a um projeto em Ílhavo, uma solução para carregar telemóveis, assim como um outro que consistia num sistema para trancar, desbloquear e carregar bicicletas elétricas. Mas é algo que ainda está num estágio "muito embrionário".

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