A greve dos tripulantes de cabine da easyJet, agendada para os dias entre 01 e 03 de abril, já levou ao cancelamento de 30% dos voos previstos para essas datas, garante o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).
"A demonstração esmagadora e quase unânime na assembleia já está a colher os seus frutos, tendo a empresa, até à data, cancelado cerca de 30% dos seus voos planeados para os dias de greve", refere o sindicato em comunicado.
Os associados do SNPVAC chumbaram, no passado dia 09 de março, em Assembleia Geral Extraordinária, a proposta para o novo acordo de empresa (AE) apresentado pela companhia de baixo-custo, aprovando a paralisação greve que arranca no próximo sábado.
Os trabalhadores, que exigem melhores condições salariais e relembram o aumento dos custos aliado à escalada da inflação, apontam ainda as dificuldades vividas pelos tripulantes na base sazonal algarvia da companhia, que reabriu no passado domingo, prevendo operar 21 rotas até outubro e que deverá resultar na criação de 130 contratos diretos, conforme avançou a transportadora low-cost.
"Não podemos deixar de realçar que existem trabalhadores a auferir salários entre os 390 euros e os 900 euros num mês de trabalho a tempo inteiro, obrigados a viver numa das regiões geográficas mais caras do país, onde só preço médio da habitação ultrapassa a remuneração de muitos destes trabalhadores", acusa o SNPVAC que, adianta, "estão em Faro neste momento tripulantes suficientes para operar quatro aviões quando apenas dois desses aviões estarão a operar até junho, o que ainda reduz mais a componente variável do salário destes trabalhadores".
Os tripulantes da base de Faro da easyJet tinham já denunciado ao Dinheiro Vivo os baixos salários e chegaram mesmo a ponderar avançar com uma greve no passado verão, que entretanto não chegou a avançar.
"Os tripulantes de Faro fizeram-nos chegar recibos de vencimento, referentes aos meses de maio, junho e julho, na ordem dos 600 e 700 euros. Ou seja, no pico do verão são estes os valores auferidos, nos meses em que deveriam conseguir uma retribuição mais elevada", lamenta o sindicato na mesma nota.
O SNPVAC aponta ainda o dedo à companhia pelo facto de esta ter informado que irá recorrer aos serviços mínimos nos voos durante a paralisação. "A Direção do SNPVAC contestou de imediato [a decisão] na expectativa de que os nossos governantes saibam defender o direito à greve, algo consagrado na nossa Constituição", conclui.
Ao DInheiro Vivo, a easyJet disse recentemente estar "empenhada em trabalhar de forma construtiva com os representantes" dos trabalhadores para "abordar as suas preocupações com o objetivo de assinar um acordo sustentável".