A greve de trabalhadores da Portway, que arrancou ontem e termina amanhã, deverá originar o cancelamento de 47 voos em Lisboa, neste sábado, 27. De acordo com as informações disponíveis no site da ANA Aeroportos não irão partir 23 voos da Portela e serão canceladas 24 chegadas.
Segundo informação oficial, para já, não há cancelamentos previstos nos restantes aeroportos abrangidos pelo protesto convocado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Sintac), ou seja, Porto, Faro e Funchal.
Para amanhã estão já previstos 54 cancelamentos em Lisboa - 28 partidas e 26 chegadas. Durante o dia de ontem foram contabilizados 71 cancelamentos em Lisboa e 33 no Porto. No total, somam-se, para já, 205 voos cancelados nos três dias de greve.
Num balanço sobre este segundo dia de greve, que se prolonga até domingo, Pedro Figueiredo, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) para a Portway, apontou um "ligeiro aumento da adesão" entre os trabalhadores do aeroporto de Faro, nomeadamente nos que estão afetos a operações de placa.
Esta situação, acrescentou, está a ter impacto no horário dos voos, causando atrasos nas chegadas e partidas de Faro.
O aeroporto de Lisboa tem sido o mais afetado pela paralisação, somando o maior número de cancelamentos. O Porto foi o segundo mais afetado durante o dia de ontem mas, para este sábado e para amanhã não estão previstos constrangimentos. Já em Faro e na Madeira não houve, até agora, registo de qualquer cancelamento. Ainda assim, o SIntac atesta que a adesão à greve nestas duas infraestruturas foi de 50% e 70%, respetivamente, durante o dia de ontem, com uma taxa de adesão em Lisboa e no Porto de 90% e 85%, respetivamente.
Já a Portway avançou com números diferentes e requeriu que a adesão ao protesto foi inferior a 10% No final do dia de ontem, o Sintac aplaudiu, em comunicado, a "excelente adesão dos trabalhadores efetivos da empresa de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Funchal".
"Contudo, é de lamentar que o despacho ministerial que definiu os serviços mínimos não permita que a grande fatia dos trabalhadores - os trabalhadores de assistência a passageiros de mobilidade reduzida (MyWay) - possa aderir a esta greve. Logo, há uma grande parte de trabalhadores que ficou impedida de exercer o seu direito à greve", referiu.
A ANA e a Portway alertaram para possíveis perturbações em 22 companhias aéreas que operam nos aeroportos nacionais sendo que a esyJet tem sido a mais afetada pelos cancelamentos.
Os trabalhadores reivindicam aumentos salariais, o cumprimento do acordo de empresa (AE) e o pagamento de feriados na totalidade.
Já a empresa detida pela Vinci diz que as acusações são falsas e garante cumprir "com toda a legislação e regulamentação aplicáveis, incluindo os AE" e assegura terem sido realizadas atualizações remuneratórias "desde o exercício de 2019 até à presente data que representam um aumento de 11% nas remunerações dos trabalhadores".
Sobre os feriados, a Portway atesta serem cumpridas "todas as regras" com o pagamento destes dias a ser realizado "com um acréscimo de 150% face ao valor/hora".
Notícia atualizada às 12h02 com as declarações do Sintac sobre o balanço da manhã do segundo dia de greve