Greve: TAP "lamenta" protesto e diz negociar acordo que respeite "esforço dos portugueses"

A transportadora lamenta que os tripulantes de cabina tenham decidido pelo caminho da greve e diz-se disponível para continuar as negociações do novo Acordo de Empresa (AE). O pré-aviso de greve foi aprovado ontem com 533 votos a favor.
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Os tripulantes de cabina da TAP aprovaram ontem um pré-aviso de greve para os dias 8 e 9 de dezembro. O protesto recebeu luz verde com 533 votos a favor, 92 contra e sete abstenções. A TAP já reagiu e lamenta que esta tenha sido a decisão dos trabalhadores mas sublinha continuar disponível para prosseguir as conversações sobre o novo Acordo de Empresa (AE).

"A TAP lamenta a decisão e continuará a trabalhar com os tripulantes de cabina numa solução de novo Acordo de Empresa para a classe, que seja digna para ambas as partes e respeite também o esforço que todos os portugueses investiram na companhia", refere a transportadora.

Os tripulantes voltam a reunir-se em assembleia-geral no dia 06 de dezembro, para avaliar avaliar as negociações com a TAP até lá e decidir se a greve avança ou não. O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) diz-se aberta para negociar e pede seriedade à TAP, que acusa de apresentar um AE inferior aos Acordos Temporários de Emergência (ATE).

Os trabalhadores consideram que a proposta do novo AE apresentada pela TAP, no dia 14 de outubro, "fica aquém das expetativas criadas pela própria empresa aquando das negociações do ATE entende esta direção, que tal proposta não reúne qualquer tipo de condições, por motivos laborais, económicos e sociais, para ser sequer, discutida".

O SNPVAC terá agora 60 dias para apresentar uma contraproposta à TAP e garante que esta "deverá ter por base o atual A.E., com as atualizações impostas por lei e as necessárias clarificações interpretativas de vários normativos legais".

Os tripulantes acusam a empresa pelo desrespeito de várias cláusulas do atual AE, nomeadamente do "contínuo aumento das cargas de trabalho e de períodos de serviço de voo (PSV's) penalizantes em número de horas de trabalho" e referem existir entre a classe "níveis de cansaço e fadiga permanentes, em pleno desrespeito ao estipulado em A.E.".

Os trabalhadores adiantam ainda que a TAP "deixou de pagar a ajuda de custo complementar extraordinária extra" e dizem que a companhia desrespeita as "normais legais para atribuição de licenças sem vencimento, do estatuto de trabalhador-estudante e direitos inerentes ao exercício da atividade sindical".

"Considerando ainda que as contas do 3º trimestre apresentadas pela TAP no dia dois de novembro, em que refere que os custos operacionais que os trabalhadores da TAP representam, são de 12% e em comparação com os congéneres somos os mais baratos da Europa chegando a ser metade do que eles recebem", indicam os trabalhadores.

Recorde-se que CEO da TAP admitiu esta que caso esta greve se concretizasse, iria pesar nas contas da empresa. "Uma greve seria um desastre porque iria por em causa todo o bom trabalho que foi feito pelos trabalhadores e pela empresa. Uma greve nunca é boa para nenhuma empresa. O diálogo que precisamos de ter não deveria passar por este tipo de ação mas não em cabe a mim decidir e acredito que nos devamos sentar à mesa e ver o que é possível fazer", disse Christine Ourmières-Widener, durante a conferência de imprensa da apresentação dos resultados trimestrais.

Também o ministro das Infraestruturas e da Habitação disse ontem que uma greve seria o pior cenário para a empresa de aviação. "Em 2022, a TAP ainda tem um prejuízo acumulado e tem um plano de reestruturação e por isso o trabalho vai continuar com os trabalhadores, mas o pior que poderia acontecer é ter uma greve que causa uma disrupção na companhia e nos resultados sem ter em consideração o esforço que os portugueses", afiançou Pedro Nuno Santos no final da reunião do Conselho de Ministros.

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