Há um país que quer que todos tenham ouro

O Quirguistão está a promover políticas para que todos os cidadãos invistam para ter 100 gramas de ouro
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Um pequeno país entre a China e o Cazaquistão quer avançar com uma medida pouco convencional: convencer os seus habitantes a mudar as poupanças de gado para ouro.

O Quirguistão, um país da ex-União Soviética, foi um dos primeiros a adoptar uma nova moeda depois do desmantelamento da URSS e agora o banco central do país quer que os cidadãos diversifiquem as poupanças através da compra de ouro. O governador do banco central, Tolkunbek Abdygulov, afirmou, citado pela Bloomberg, que o seu "sonho" é que todos os seis milhões de cidadãos tenham, pelo menos, 100 gramas do metal precioso, que é a maior exportação do país.

"O ouro pode ser guardado durante muito tempo e, apesar das flutuações de preço nos mercados internacionais, não vai perder valor para a população no que a poupanças diz respeito", defendeu o responsável. "Vou tentar tornar o sonho em realidade mais rapidamente", acrescentou.

Segundo dados das duas maiores empresas produtoras de ouro no país, a canadiana Centerra Gold e a estatal Kumtor Gold Company fizeram saber no final de janeiro que a produção de ouro na mina de Kumtor, a maior do país, foi de 17.136,778 quilos, diz o The Times of Central Asia.

Nos últimos dois anos o banco central tem estado a vender barras de ouro diretamente à população, disse o responsável à Bloomberg, o que já levou à entregue de 140 quilos de ouro.

"Temos esperança que a população aprenda a diversificar as poupanças para ativos que são mais líquidos e, sobretudo, capazes de manter valor", afirmou. Em áreas rurais, o gado continua a ser o ativo de escolha para investidores e aforradores.

O Quirguistão já criou uma tendência junto dos bancos centrais mantendo as compras de ouro mesmo quando os outros bancos centrais deixaram de o fazer, devido às baixas taxas de juro, o que levou a procura de barras de ouro e de moedas a cair, segundo dados do World Gold Council - mesmo com alguns momentos de corrida à matéria-prima, considerada um ativo de refúgio em momentos de turbulência.

No país da Ásia Central são produzidas barras de ouro de diferentes dimensões, de 1 a 100 gramas, e o banco central acredita que o seu plano é realista, apesar de isso significar que a população do país vai ter cerca de 600 toneladas do metal precioso.

As opções para armazenamento incluem cofres nos bancos comerciais ou junto do banco central, explicou o presidente da instituição, que não quis avançar um calendário para que a sua meta de 100 gramas por pessoa esteja cumprida. O responsável admitiu que é provável que muitos mantenham o investimento em casa ou o enterrem.

"No Quirguistão o ouro é um instrumento alternativo de investimento", diz Abdygulov. "Asseguramos que há liquidez: não estamos apenas a vender, também estamos a comprar de novo as barras que produzimos e vendemos."

O país tem o objetivo de manter dentro das fronteiras cerca de 10% dos mais de dois mil milhões de dólares em ouro que tem neste momento. Durante anos o valor médio das exportações foi de 2,6 toneladas mas, em 2012, os stocks subiram mais de 70% para 4,5 toneladas, segundo dados do World Gold Council.

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