Habitação: "Não inventem mais medidas, por favor"

CEO do BPI repetiu esta sexta-feira um apelo que tem feito amiúde: que se construam mais casas, a única solução que considera resolver a crise que o país atravessa e que pode travar a fuga dos jovens
João Pedro Oliveira e Costa, CEO do Banco BPI
João Pedro Oliveira e Costa, CEO do Banco BPI
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João Pedro Oliveira e Costa sempre relativizou a garantia do Estado no crédito à habitação para os jovens até aos 35 anos, mas este semestre decidiu antecipar as perguntas dos jornalistas e colocou os números referentes a contratos e montantes na apresentação de resultados. "Toda a gente fala disto, como se houvesse aqui um tema...", ironizou.

"Mas se pudesse dizer alguma coisa sobre crédito à habitação, chamaria a atenção para que procurassem sustentar a poupança de longa prazo com contratação do crédito com maior previsibilidade", pediu Oliveira e Costa, referindo-se à descida da contratação de créditos com taxa fixa e à subida dos créditos com taxa mista. "A taxa mista é só por dois ou três anos e, depois refixa. Eu aconselharia vivamente que olhassem para a taxa fixa, porque a curto prazo parece mais cara, mas garante estabilidade para o futuro", avisou, salientando o momento económico que o mundo atravessa, onde impera a imprevisibilidade.

E regressando ao crédito com garantia do Estado, sublinhou algo que já tem vindo a repetir desde que a medida foi implementada: "acho que a medida foi um balão de oxigénio, mas não é uma solução. Há uma parte dos jovens que conseguiu comprar e que assim não emigrou. Isso é bom", considerou.

E "não antevejo nenhum tema com o crédito à habitação, o tema é que não há casas para as pessoas comprarem! Os volumes são elevados porque há várias casas a mudar de mãos, algumas delas trocaram de mãos duas ou três vezes nos últimos dez anos", explicou ainda. Mas, realçou, "não acredito em nenhuma medida que faça estabilizar a habitação que não seja a construção na habitação".

"Não inventem mais medidas, por favor. A única solução é construir muito mais habitação. Depois podemos ir ao resto - a necessidade de habitação acessível e outras medidas. Claro. Mas depois", porque "o tema da oferta e da procura funciona sempre. Sempre. E nós precisamos de reter os nossos jovens em Portugal. A maior razão de emigração é o preço da habitação, e porque os salários em Portugal são completamente desproporcionais para baixo, e isto é fundamental e estratégico".

"Se queremos crescer a população portuguesa nascida em Portugal, temos de ter os nossos jovens em Portugal. E para isso temos de ter habitação. É tão estratégico ter habitação como defesa, saúde, segurança…é fundamental e é completamente estratégico", repetiu. "A população cresceu significativamente em Portugal e não é o mercado do topo que veio roubar as casas aos portugueses. É  preciso fazer mais construção. Falar menos, fazer mais. Digo isto desde que sou presidente do banco. Falem menos e façam mais".

Na ocasião, o responsável do banco aproveitou ainda para comentar as novas regras macroprudenciais do Banco de Portugal, que entram em vigor amanhã, 1 de agosto, e que apertam a malha à concessão de crédito. "Entendo-as, mas não creio que haja fundamento real" para elas. "Mas percebo que um supervisor, que olhe para o nível de subida do preço das casas, coloque um conjunto de regras e medidas para aumentar a prudência. Por isso é que se chamam macroprudenciais. Não era uma prioridade que eu teria, mas entendo. E iremos cumpri-las. Não há um desacordo" em relação às medidas, "mas não acho que terão impacto".

"Acho que haverá menos 5% a 10% do credito a habitação e não acho que diminua mal parado nem diminua o balanço dos bancos", concluiu.

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