O seu primeiro anúncio foi para a água Castelo, em 1976. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Herman José fala sobre o trabalho para a Optivisão, com criatividade da agência Uzina, através do diácono Remédios e do Nelo, do humor e da televisão.
Quanto tempo esteve sem fazer publicidade?
Na televisão mais de dez anos, nos espetáculos ao vivo nunca deixei de trabalhar para empresas. É de resto dos desafios de que mais gosto de aceitar.
O Herman foi dos primeiros humoristas a dar a cara na publicidade em Portugal. Com que anúncio?
O meu primeiro anúncio com notoriedade foi em 1976 com a Água Castello. Nesse ano, era interpelado na rua com a frase "tudo com Água Castello".
[jwplayer url="https://www.youtube.com/watch?v=FD5PVWIGwEo" vtype="yt"]
O que mudou na publicidade desde então, tendo em conta que surgiram novos humoristas protagonistas neste género de comunicação?
Mudou sobretudo o "oxigénio financeiro". Nos anos 90 pagava-se de cachet a um artista de primeiro plano, o equivalente ao custo de uma campanha inteira hoje em dia. Portugal estava convencido que era um País rico.
Como surgiu o convite da Optivisão e o que lhe foi pedido?
Foi um processo evolutivo. Fui convidado com muita amizade e militância para atuar num espetáculo para os associados da Optivisão. A empatia foi de tal maneira forte, que evoluiu naturalmente para uma campanha multimédia.
É esta campanha uma espécie de "travessia do deserto" a que foi obrigado?
Não ponho a coisa em termos tão dramáticos. Ao longo dos últimos cinco anos fui sendo sondado para campanhas de ordem vária - de hipermercados a vendas diretas -, no entanto os conteúdos ou as propostas nunca se mostraram suficientemente interessantes. A publicidade é uma arma de dois gumes: mal utilizada pode esvaziar uma imagem artística que leva muito tempo a construir.
Ou também a resposta a todos aqueles que de tempos a tempos lhe escrevem o "obituário profissional" ou lhe dão a sentença de que é um humorista cujos tempos de glória já passaram, pois agora os novos é que têm graça?
Portugal é lesto a enterrar as suas figuras públicas, independentemente das idades. Lembro-me de certo grupo de humoristas que muito admiro e que apesar de só terem dez anos de existência, na sequência da sua exposição publicitária, já foram a "enterrar" pelo menos umas dez vezes... É um mal com que nos habituamos a viver.
Quando andava na estrada a fazer espetáculos, disse vezes que o enorme carinho que sentia das pessoas era inverso ao apreço que os decisores das televisões sentiam em relação ao Herman, fazendo com que se mantivesse afastado do ecrã. Há algum tempo na RTP1 e agora na publicidade. Que sabor tem?
Não há melhor sensação do que fazer duas horas de espetáculo para vinte, trinta ou quarenta mil pessoal. Isso sim é empolgante. Dizer umas frases para a câmara para vender um produto, qualquer carinha laroca recém-chegada às novelas pode fazer. Quanto às televisões, estou numa fase perfeita: no canal que escolhi, a fazer televisão "feel good" com sucesso e muito bem acompanhado.