A década da ação rumo a 2030 reveste-se de desafios societais sistémicos, que requerem medidas concretas de Estados, organizações e indivíduos, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). É através da integração do conjunto dos aspetos ambientais, sociais e de governança nas estratégias, nos negócios e nas instituições, que o planeta e as pessoas poderão prosperar. Estas interdependências são bem ilustradas no conceito da Economia Donut, que procura estabelecer os limites planetários e sociais dos quais a humanidade depende para sobreviver e não deve ultrapassar.
Com a urgência da ação climática e a necessidade de descarbonizar a indústria e as atividades económicas, grande parte dos esforços das empresas têm sido direcionados para ações neste sentido. Porém, para atingir o objetivo de mitigar as alterações climáticas é preciso assegurar a ação em prol da conservação da natureza - parafraseando a coligação Business for Nature, as alterações climáticas não podem ser resolvidas sem considerar a natureza - o desafio é sistémico.
A necessidade de travar a perda de biodiversidade e assegurar a provisão dos serviços dos ecossistemas e, consequentemente, a integridade da biosfera - um dos nove limites planetários - foi alvo de reforço na COP15, em dezembro de 2022, que aprovou o Acordo Kunming-Montreal sobre o Quadro Global para a Biodiversidade pós-2020 (e da sua meta 15, que endereça especificamente o setor empresarial). Traduzido para a gestão da sustentabilidade, isto significa que a extração e consumo dos recursos naturais utilizados pelas empresas - o capital natural - devem ser realizados de forma sustentável, considerando os limites dos ecossistemas e numa perspetiva nature positive.
O mais recente relatório "Global Risks Report 2023", do World Economic Forum, sinaliza a perda de biodiversidade e o colapso dos ecossistemas enquanto risco crítico global ao longo da década, podendo levar a consequências irreversíveis para o ambiente, a humanidade e as atividades económicas e uma destruição permanente do capital natural, como resultado da extinção ou redução de espécies.
Neste sentido, o BCSD Portugal lançou em 2020 a iniciativa act4nature Portugal, uma call to action ao setor empresarial em prol da preservação e restauro da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas. Através dos 10 compromissos comuns act4nature Portugal, as empresas são desafiadas a refletir sobre as dependências e impactes da sua atividade na natureza, e a estabelecer compromissos individuais SMART focados em áreas como a integração da biodiversidade na estratégia corporativa e nas decisões ao longo da cadeia de valor, prioridade à mitigação de impactes e à promoção de soluções baseadas na natureza, a capacitação dos colaboradores e o reporte público da implementação dos compromissos assumidos.
O act4nature Portugal já reúne 41 empresas nacionais, de mais de 15 setores, comprometidas com uma jornada para a biodiversidade. Encontra-se aberta até 15 de maio a 4ª vaga de adesão. O site do BCSD Portugal reúne toda a informação necessária para aderir.
Maria João Coelho, Head of Sustainability Knowledge, e Natália Alencar, Sustainability Knowledge Manager