Se o emprego sazonal, nomeadamente no turismo, sempre ajudou a aliviar os números do desemprego em Portugal durante o verão, este ano está a ser diferente. De acordo com João Araújo, diretor dos hotéis Mercure em Portugal, "o aumento da concorrência, motivada pelo aumento de unidades de alojamento de baixo custo, como as hostels, está a afetar os hotéis, seja qual for a categoria em que se classificam".
Possuindo unidades no centro da cidade do Porto, em Gaia, na Figueira da Foz e em Lisboa, além do hotel franchisado em Braga, a cadeia Mercure disponibiliza 496 quartos. No caso do Porto, a maioria da procura "são turistas de lazer, que procuram ficar no centro da cidade", portanto "a sazonalidade é menos acentuada e o hotel acaba por não fazer mais contratações nesta altura porque tem de prestar serviços de qualidade todo o ano e não apenas no verão".
"Quem teve de fazer ajustes ao pessoal, foi fazendo durante o resto do ano, portanto nesta altura tem o quadro de pessoal de que precisam ou requisitam em outsourcing", apontou.
Crítico do fenómeno das hostels que, recentemente, "abrem por todo o lado", João Araújo aponta que "não são concorrência justa, porque a legislação não é a mesma que dos hotéis, nem as condicionantes".
"Há um excesso de oferta, portanto não me admira que não haja já reflexos no emprego sazonal", conclui o responsável.
O Mercure Batalha, no Porto, vai encerrar o mês de Julho com uma ocupação média de 81,5%, ligeiramente abaixo dos 83% do mesmo mês do ano passado, segundo o director.