A Huawei Technologies Co. vai investir mil milhões de dólares (cerca de 836 milhões de euros) em investigação relacionada com a tecnologia de carros elétricos e autónomos. A juntar o melhor dos dois mundos, a multinacional pretende aliar a aposta na inovação para reduzir o consumo de energia (e assim pôr um travão nas emissões de carbono em todo o mundo), ao mesmo tempo que compete com as gigantes Tesla Inc. e Xiaomi Corp, que também revelou, recentemente, a intenção de entrar na produção de EVs, durante a próxima década.
A Huawei iniciou na segunda-feira em Shenzhen, China, o seu 18º Global Analyst Summit, que decorreu até quarta-feira e este ano foi sob o lema "Construir um Mundo Inteligente e Totalmente Conectado".
"A unidade de negócios de carros inteligentes vai receber uma das parcelas de investimento mais altos, dentro da Huawei", anunciou a empresa através do presidente da companhia, Eric Xu, a analistas (de acordo com a Bloomberg), acrescentando que o investimento vai ser de mais de mil milhões de dólares (cerca de 836 milhões de euros).
O presidente recordou que, só a China, "vê entrar, todos os anos, 30 milhões de carros novos. Número que continua a crescer". Tal significa que, mesmo que o país decida manter o negócio dentro de fronteiras, se conseguir "ganhar uma média de 10.000 yuans [perto de 1.300 euros] em cada carro vendido no mercado chinês, já será um grande negócio para a Huawei".
Eric Xu afirmou também estar satisfeito com os avanços conseguidos pela companhia, nomeadamente, nas tecnologias com vista à condução autónoma, que garantiu que são já melhores que as da norte-americana Tesla, embora ainda não estejam em prática em nenhum veículo comercial.
"Não sei se estavam apenas a gabar-se, mas, segundo fui informado pela minha equipa, os nossos carros conseguem cumprir um total de 1.000 quilómetros, sem qualquer intervenção humana. Ora, isso é muito melhor do que faz a Tesla", comentou Xu, em declarações à imprensa.
Xu partilhou ainda com a audiência o desempenho dos negócios da empresa em 2020, cuja receita global de vendas atingiu os 136,7 mil milhões de dólares, bem como um conjunto de outras iniciativas estratégicas que estão a ser levadas a cabo pela multinacional.
Entre estas o responsável refere-se à intenção de "maximizar o valor do 5G e à definição do 5.5G em conjunto com os pares da indústria, de forma a impulsionar a evolução das comunicações móveis", destacando-se o facto de, em 2020, a multinacional já contar com mais de 140 redes comerciais de 5G e acima de 330 milhões de utilizadores desta tecnologia a nível mundial.
O Chairman rotativo da empresa acrescentou ainda que a Huawei pretende igualmente "disponibilizar uma experiência centrada no utilizador, integrada e inteligente", também com o objetivo de "dar resposta aos desafios da cadeia de abastecimento de forma contínua e sustentada", nomeadamente "recuperando a confiança e restaurando a colaboração com toda a cadeia global de fornecedores de semicondutores, aliás crucial para voltar a pôr a indústria no caminho certo". A empresa acredita que a atual escassez de chips que afeta a indústria eletrónica mundial pode voltar ao normal nos próximos tempos e atira algumas culpas para os EUA, pela guerra comercial e tecnológica criada.
"Na próxima década prevemos alcançar melhorias assinaláveis na sociedade e, para promover esses esforços, esperamos conseguir conjugar esforços com diferentes indústrias, universidades, centros de investigação e programadores de aplicações para abordar, de forma universal, estes desafios que a humanidade enfrenta", afirmou William Xu na mesma conferência.
"Com uma visão partilhada, temos todos nós um papel a desempenhar enquanto exploramos as formas de fortalecer a conectividade total, a computação mais rápida e a energia mais ecológica. Juntos, vamos caminhar rumo a um mundo inteligente em 2030", assegurou William Xu.
De relembrar que a Huawei sai agora daquele que foi o ano mais desafiante para a empresa, depois das sanções da administração de Trump (que limitou o uso dos serviços Google na área dos smartphones) e da expulsão do mercado norte-americano que impediram os avanços no desenvolvimento e fabricação de chips e redes de quinta geração.
Atualmente, com a presidência de Biden, a situação parece não apresentar sinais de melhora e, por isso o fundador Ren Zhengfei, admite estar a direcionar a Huawei para novas áreas de crescimento, como agricultura inteligente, saúde e, nomeadamente, nos EV.