Ilha do Príncipe recebeu primeiro Dividendo Natural
O valor máximo deste dividendo está fixado nas 20 mil dobras (aproximadamente €860), e será pago a cerca de três mil adultos – cerca de 60% da população adulta da ilha do Príncipe – em contrapartida pelos esforços na preservação da biodiversidade da ilha do Príncipe.
Para os primeiros três anos de projeto estão previstos 15 milhões de euros – mas o objetivo é que seja um programa perpétuo que possa, inclusivamente, ser replicado em outras zonas do Globo. Jorge Alcobia, CEO da Faya, destaca que estes primeiros três anos funcionarão como fase piloto: “Este período inicial servirá de teste para o modelo. Poderão ser feitos ajustes ao longo do processo, garantindo que o equilíbrio entre conservação, impacto social e sustentabilidade financeira seja plenamente assegurado.”
O objetivo é que a Ilha do Príncipe se estabeleça como referência internacional em inovação ambiental e social.
Recorde-se que este território é Reserva da Biosfera da UNESCO, e Mark Shuttleworth tem sido um dos nomes mais relevantes na sua preservação ao longo dos últimos anos. O empresário sul-africano que fez fortuna depois de vender a sua empresa de segurança de Internet, a Thawte, à Verisign, fundou depois a empresa Canonical Ltd, da qual foi CEO até dezembro de 2009.
Desde então, o multimilionário tem-se dedicado ao desenvolvimento sustentável da ilha do Príncipe. É proprietário de unidades hoteleiras como o Sundy Praia, Bom Bom, Belo Monte e Roça Sundy, tem sido voz ativa na preservação de espécies e melhoria de qualidade de vida das populações. Através da fundação Faya, fundada recentemente “procura alinhar crescimento económico com proteção ambiental e inclusão social, contribuindo para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável através de abordagens estratégicas e modelos financeiros responsáveis”, anuncia em comunicado.
É nesse sentido que estabeleceu o primeiro Dividendo Natural, um pagamento à comunidade por serviços à natureza, e que tem como objetivo criar um modelo económico que valoriza a preservação ambiental e a melhoria das condições de vida das comunidades locais, reconhecendo o papel fundamental das populações na proteção dos ecossistemas.
Em complemento ao pagamento do Dividendo Natural aos habitantes da ilha do Príncipe - por contrapartida do seu esforço e compromisso em preservar e valorizar o ativo que é a natureza - a Faya está ainda analisar o investimento em infraestruturas, como sejam a exploração de uma nova pedreira, a construção de um porto na ilha, e a construção e disponibilização de habitação em zonas urbanas e suburbanas. Todos estes projetos têm sido desenvolvidos em estreita colaboração com o Governo Regional do Príncipe.
Para o presidente da fundação Faya, Filipe Nascimento, este investimento será “verdadeiramente transformador, tanto para a natureza como para as pessoas da ilha”.

