A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, revelou esta sexta-feira que Portugal regista 630 mil imigrantes no sistema contributivo da Segurança Social (SS), até este momento, cujas contribuições sociais já somam 1,5 mil milhões de euros.
"Temos neste momento 630 mil estrangeiros ativos a descontar para a segurança social", afirmou a governante numa conferência de imprensa conjunta com os ministros da Economia, António Costa Silva, e das Finanças, Fernando Medina, sobre o balanço económico do país em 2022.
Segundo os números apresentados, a população imigrante que está a contribuir ativamente para a SS, com remunerações declaradas e contribuições pagas, já descontou um total de 1,5 mil milhões de euros em 2022.
Ana Mendes Godinho chamou a atenção para estes dados, considerando que, em 2015, só 100 mil imigrantes trabalhadores estavam integrados no sistema contributivo e ativamente a descontar para a SS.
De acordo com a ministra do Trabalho, a presença de estrangeiros no país é "particularmente significativa" e a sua presença no sistema da SS demonstra também uma "mudança no paradigma do mercado de trabalho".
"Isto mostra a mudança na forma como olhamos para os estrangeiros que estão em Portugal", afirmou.
Ana Mendes Godinho realçou, ainda, que estes 630 mil imigrantes a contribuir hoje para a SS é também fruto da política "Número de SS na Hora", criada em 2020 com o propósito de "simplificar a entrada de imigrantes na economia formal". "Muitos já estavam em Portugal a trabalhar, mas no mercado paralelo", disse, reiterando que a medida referida "permitiu, até hoje, a entrada na SS de 340 mil estrangeiros que estavam fora do sistema".
Este balanço das contribuições de trabalhadores estrangeiros é conhecido depois do Observatório das Migrações divulgar que, no final de 2021, havia em Portugal 475 892 mil contribuintes estrangeiros, cujas contribuições sociais ascendiam a 1 293 2 milhões de euros.
Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicavam que, no final do terceiro trimestre, o país contava com 4,9 milhões de trabalhadores empregados, com remunerações declaradas e contribuições sociais pagas. Ana Mendes Godinho notou que se registam mais 120 mil empregados do que em 2019 e mais 210 mil face a 2021
Destes, 1,7 milhões são trabalhadores com ensino superior e 430 mil são jovens até aos 35 anos, também com o ensino superior. Ana Mendes Godinho realçou, ainda, que 3,5 milhões dos trabalhadores empregados tinham um contrato de trabalho sem termo, mais 100 mil do que em 2021.
Até novembro, registavam-se 58,2 mil milhões de euros em massa salarial declarada. Em 2022, o salário mínimo é 705 euros e o salário médio cifra-se nos 1 281 euros.