Imobiliário já inverteu ciclo de crescimento

Vendas de imóveis mediadas pela rede Century 21 caíram 4,8% no último trimestre do ano e o preço recuou 5,1%. Efeito da subida das taxas de juro está já a afetar mercado.
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O último trimestre de 2022 já deu sinais de inversão do ciclo de crescimento do mercado imobiliário português. Nestes meses, que tradicionalmente são os melhores do ano para o setor, a rede da Century 21 Portugal registou um decréscimo de 4,8% no número de transações de venda face ao trimestre anterior e o valor médio dos imóveis transacionados reduziu em 5,1%. As operações de arrendamento caíram 12%.

No contexto das subidas de taxas de juro para compra de habitação, a que se soma as limitações ao crédito impostas pelas medidas macroprudenciais do Banco de Portugal, é expectável que este ano os portugueses travem as intenções de compra de casa. Estes fatores, irão "condicionar o poder aquisitivo dos portugueses e restringir o valor do imóvel que podem comprar", diz a Century 21 em comunicado.

A rede imobiliária dirigida por Ricardo Sousa reconhece que "as circunstâncias atuais do mercado não irão permitir os níveis de evolução dos preços registados em 2022". Mas também "não é expectável que se registe uma real diminuição do valor das habitações".

Agora, zonas periféricas das principais cidades do país poderão registar uma maior pressão gerada pela descentralização da procura, que pode conduzir a uma subida e preços.

A subida do custo de vida e a dificuldade de muitas famílias em recorrer ao crédito à habitação deverá gerar um aumento da procura de casas para arrendar. Neste mercado e face a essa eventual pressão, a Century admite a possibilidade de aumentos no preço das rendas.

Estrangeiros valeram 18% das vendas

No ano passado, a Century 21 faturou 94,7 milhões de euros, uma subida de 24% face aos 76 milhões registados no exercício anterior. Segundo avança a marca imobiliária, o volume de negócios aumentou 36% para os 3 773 milhões de euros.

Ao longo de 2022, a Century 21 concretizou 20 057 transações de venda de imóveis, mais 23% quando comparado com as 16 312 efetuadas em 2021. O valor médio dos imóveis apresentou um aumento de 11,7 % e fixou-se nos 187 900 euros.

Estes números dão conta da existência de "um desafio crescente em termos de acessibilidade à habitação, que cada vez deixa mais jovens e famílias sem capacidade para adquirir casa", diz Ricardo Sousa no comunicado. Na sua opinião, "se a atual conjuntura macroeconómica se mantiver, é expectável que em 2023 se continue a registar uma diminuição do número de transações e uma estabilização dos preços dos imóveis".

Os estrangeiros representaram 18% das transações de venda de imóveis, tendo a marca registado um interesse crescente por diferentes regiões do país. O valor médio das transações imobiliárias neste segmento situou-se nos 340 mil euros, bastante superior ao ticket médio das famílias portuguesas que está nos 188 mil euros. Cidadãos dos Estados Unidos, França, Reino Unido, Brasil e Suíça foram os principais investidores.

No ano passado, a Century 21 Portugal incrementou a rede com mais 29 contratos de franchising, somando agora 212 unidades em operação, onde trabalham cerca de 4 500 colaboradores, entre intermediários de crédito e agentes imobiliários.

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