

Lisboa continua a destacar-se no mercado imobiliário, com as rendas de imóveis residenciais prime a subirem 7,6% no primeiro semestre de 2026, a segunda maior valorização entre as 30 cidades analisadas pelo Savills World Cities Prime Residential Index.
Os preços de venda também acompanharam a tendência, registando um aumento de 3,3%, impulsionados pela escassez de oferta na cidade.
A capital portuguesa, atrás apenas da Cidade do Cabo, demonstra uma robusta procura por imóveis prime, de acordo com o estudo, resultando numa valorização significativa das rendas.
"A procura de compradores internacionais mantém-se elevada, mas a oferta é limitada, o que tem sido um fator crucial para o aumento das rendas e condiciona o crescimento dos preços de venda", explica o relatório.
Em junho de 2026, o custo médio de um imóvel prime em Lisboa era de 14.600 euros por metro quadrado, enquanto a renda média situava-se em cerca de 30 euros por metro quadrado por mês.
Comparativamente, Lisboa já superou Madrid, onde o metro quadrado prime custa 11.700 euros, mas ainda está distante de Paris (19 mil euros) e Genebra (26.300 euros), a cidade mais cara do grupo europeu analisado.
O padrão de valorização não se limita a Lisboa, uma vez que outras cidades do sul da Europa também registaram aumentos nos preços de venda prime, com Madrid a crescer 2,4%, Barcelona 1,5%, Atenas 1,2% e Roma 0,2%. Estas cidades enfrentam uma procura superior à oferta, sustentando assim os valores em um contexto de maior cautela entre os compradores globais.
Para a segunda metade de 2026, o relatório da Savills projeta um crescimento entre 2% e 3,9% para Lisboa, alinhando-se com cidades como Madrid, Barcelona, Singapura, Seul e Kuala Lumpur.
A combinação entre oferta limitada e procura internacional deverá ser o principal motor de valorização até ao final do ano, posicionando Lisboa entre os mercados residenciais prime com melhor desempenho na Europa.
Rita Bueri, Head of Residential Lisboa da Savills Portugal, afirma que a capital portuguesa "é a cidade certa por três razões: valor ainda abaixo de algumas cidades europeias, qualidade de vida superior, e estabilidade que atrai compradores permanentes".
A mesma responsável da consultora destaca que a subida de 7,6% nas rendas reflete a escassez de produto prime disponível, com muitos compradores a optarem pelo arrendamento enquanto aguardam a compra.
Kelcie Sellers, Associate Director da Savills World Research, acrescenta que "as cidades com oferta limitada, forte criação de riqueza e procura internacional sustentada tendem a ter melhor desempenho".
A gestora do departamento central de inteligência, análise de dados e estudos de mercado globais da multinacional realça, ainda, que a escolha da cidade certa, com foco em valor, qualidade de vida e fundamentos económicos sólidos, deverá continuar a ser um motor importante para o desempenho do mercado residencial prime até o final de 2026.