

O setor imobiliário residencial europeu está a recuperar o seu dinamismo, impulsionado pelo reforço do desempenho do setor, crescente interesse institucional e um ambiente macroeconómico mais estável.
De acordo com um inquérito da consultora imobiliária Cushman & Wakefield (C&W), o ano de 2025 marcou o melhor desempenho desde 2023, com investimentos a atingirem 59 mil milhões de euros, refletindo um envolvimento crescente do capital institucional.
Atualmente, dois terços dos investidores alocam 20% ou mais das suas carteiras a ativos residenciais e 96% planeiam aumentar essa exposição nos próximos cinco anos.
A estabilidade dos retornos é o principal fator de atratividade para 74% dos investidores, suportada por dinâmicas demográficas sólidas e uma procura consistente em todos os segmentos residenciais.
O mercado de arrendamento privado e a construção para arrendamento lideram o interesse, seguidos pelo alojamento para estudantes. Há também um interesse crescente em soluções como habitação acessível e co-living.
Antes do atual conflito no Médio Oriente, as expectativas macroeconómicas apontavam para uma maior estabilidade. Mais de metade dos investidores não antecipava alterações nas taxas de juro para o próximo ano, enquanto 48% esperavam que os rendimentos da habitação prime se mantivessem estáveis, salienta o estudo.
A compressão de yields tem vindo a diminuir, com a expectativa de que o crescimento das rendas e a eficiência operacional impulsionem o desempenho futuro, destaca ainda o relatório.
De acordo com a C&W, Alemanha, Espanha e Reino Unido mantêm-se como os mercados mais atrativos, refletindo a dimensão dos seus mercados institucionais e uma procura sólida por arrendamento. Irlanda surge agora à frente de França no grupo seguinte de mercados preferidos.
Segundo o estudo, os investidores continuam a priorizar ativos estabilizados, com quase metade indicando que entre 80% e 100% das suas carteiras são compostas por este tipo de ativos.
A C&W prevê que nos próximos anos, joint ventures e aquisições diretas deverão ser as principais formas de entrada no mercado, com exceção de mercados emergentes como Bélgica, Itália, Polónia e República Checa.
No mesmo relatório, diz que a sustentabilidade continua a ser um pilar central das estratégias de investimento, com 82% dos investidores a considerarem-na um objetivo-chave e estão dispostos a pagar um prémio por ativos com bom desempenho ambiental.
No documento, a consultora imobiliária acrescenta que em Portugal, o alojamento para estudantes entrou em 2026 com fundamentos sólidos, devido à oferta limitada e crescente procura. Já o segmento de construção para arrendamento ainda é pouco desenvolvido, mas o recente enquadramento fiscal pode ser um catalisador importante para o seu crescimento futuro.