Preços das casas caem 3,4% no segundo trimestre

Também no arrendamento houve uma queda do valor médio, de 4,2%, no mesmo período, de acordo com o Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças.
Preços das casas caem 3,4% no segundo trimestre
Pedro Correia/Global Imagens
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O mercado imobiliário português registou uma correção no segundo trimestre de 2026, com recuos nos preços médios de venda e nas rendas, segundo a análise trimestral do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças.

O preço médio nacional de venda situou‑se em 3.544 euros/m², uma descida de 3,4% face ao trimestre anterior. No arrendamento, o valor médio caiu 4,2%, para 15,46 euros/m².

Apesar da tendência descendente a nível agregado, a evolução territorial foi heterogénea: 10 distritos e os Açores tiveram subidas, enquanto nove distritos registaram quedas.

As maiores valorizações concentraram‑se no interior — Viseu (+8,6%), Santarém (+5,8%) e Portalegre (+3,4%) — e as maiores descidas ocorreram em Viana do Castelo (‑5,3%), Setúbal (‑5,2%) e Évora (‑4,7%). Lisboa e Porto recuaram 3,3% e 2,4%, respetivamente.

A correção afetou sobretudo os segmentos médios e altos. A mediana dos preços desceu 7,1%, para 390.000 euros, e o terceiro quartil recuou 7,2%, para 645.000 euros. Nos imóveis mais acessíveis, a queda foi mais moderada, com o primeiro quartil a baixar 3,7%, para 259.900 euros.

No arrendamento, além da descida média nacional, as quedas mais expressivas verificaram‑se em Évora (‑12,8%), Beja (‑6,5%) e Coimbra (‑6,5%), enquanto a Guarda (+33%), Viseu (+11,6%) e Bragança (+7,2%) destacaram‑se com subidas, ainda que estas provenham de mercados com menor número de anúncios e, portanto, mais voláteis.

Em termos de dinâmica de mercado, o stock ativo aumentou — em parte devido a uma expansão das fontes de dados do Observatório — e a taxa de absorção na venda caiu ligeiramente de 1,6% para 1,5%.

O tempo médio de venda das moradias subiu para 184 dias (+54%), enquanto o dos apartamentos diminuiu 15%, para 106 dias.

Apesar da descida dos preços, a acessibilidade continua pressionada, uma vez que em junho a prestação média para comprar um T2 absorvia 49% do rendimento líquido de um casal com salário médio, subindo para 53% no caso de uma moradia T3.

O Observatório conclui que o mercado se encontra agora mais seletivo, exigindo maior alinhamento entre preço, localização e capacidade financeira.

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