

A procura por casas em zonas costeiras em Portugal acelerou fortemente no último ano, segundo dados do Imovirtual, numa tendência que tem impactos claros no mercado residencial.
Em março de 2026 registaram‑se 139.308 pesquisas por imóveis junto ao mar, contra 57.165 em março de 2025 — um aumento de 143,7% —, acima do crescimento verificado nas zonas não costeiras (+124,9%).
O incremento das pesquisas traduziu‑se também num salto do “volume de interesse económico” — que cruza número de pesquisas com o orçamento médio procurado —, que passou de cerca de 27 mil milhões de euros para 59 mil milhões, um aumento de 120% em doze meses.
Esta pressão revela maior intensidade da procura por oferta costeira e potencia tensões adicionais sobre preços e disponibilidade.
Apesar do maior interesse, o orçamento médio procurado para casas junto à costa caiu 9,5%, de 471 mil para 427 mil euros, o que sugere um alargamento do perfil de compradores.
“Os dados mostram que a procura por casas junto ao mar está a crescer de forma muito significativa, mas também que os compradores estão a ajustar as suas expectativas, nomeadamente ao nível do orçamento”, afirma Sylvia Bozzo, marketing manager do Imovirtual.
A procura está a diversificar geograficamente, uma vez que, de acordo com o portal imobiliário, surgem novos hotspots como Lagos (+416% nas pesquisas), Tavira (+302%), Grândola (+282%), Caldas da Rainha (+250%) e Mafra (+246%).
Nas principais cidades, o Porto cresceu 174,2% em procura, Faro 161,9% e Setúbal 141,5%, demonstrando que a procura costeira se estende além dos polos tradicionais.
Regionalmente, nota‑se uma redistribuição do orçamento médio, pois o Norte e o Centro destacam‑se — o Porto viu o budget médio subir 32% para cerca de 520 mil euros e Coimbra 20% para 240 mil — enquanto o Sul e Lisboa registaram quedas (Faro -27% para 376 mil; Lisboa -21% para 628 mil euros), tornando algumas áreas costeiras relativamente mais acessíveis.
Os dados do Imovirtual apontam para uma mudança estrutural nas preferências residenciais em Portugal, com a procura por habitar junto ao mar a deixar de ser um fenómeno exclusivamente ligado ao mercado premium ou à segunda habitação e a ganhar relevo como opção de vida mais ampla.