

Portugal destaca‑se internacionalmente pelos níveis relativamente baixos de criminalidade, facto que tem contribuído para um aumento do interesse em habitações de luxo inseridas em condomínios fechados, procuradas por quem tem poder de compra e valoriza questões como privacidade e segurança. Contudo, a oferta neste segmento tem vindo a reduzir‑se.
Dados do idealista/data relativos aos três meses até fevereiro de 2026 indicam que os anúncios de casas premium (preço superior a um milhão de euros) em empreendimentos privados recuaram 27% no último ano, deixando pouco mais de duas mil unidades disponíveis no mercado. Mais de 85% desse stock concentra‑se nos distritos de Lisboa, Porto e Faro, o que torna a oferta geograficamente muito limitada.
A redução do número de casas à venda foi generalizada entre os distritos e ilhas com amostras relevantes, com exceção de Setúbal, onde a oferta aumentou 1%. Lisboa registou a maior quebra (-37%), seguida de Leiria (-35%) e Faro (-28%), um sinal claro de pressão sobre os inventários nas áreas mais procuradas, de acordo com o estudo do idealista.
Por seu lado, a procura por este tipo de residências elevou‑se em alguns mercados, uma vez que Lisboa e Setúbal viram o interesse subir 14% e 43%, respetivamente, enquanto Faro registou uma subida de 5%. Nos restantes territórios, incluindo o Porto e a Madeira, a pressão da procura diminuiu no período em análise.
Os preços medianos refletem diferenças regionais acentuadas, pois Setúbal lidera como o distrito mais caro (dois milhões de euros), seguida de Lisboa (1,8 milhões). Faro, Madeira e Porto apresentam medianas próximas dos 1,5 milhões. Já Leiria (1.1 milhões) e Braga (1,2 milhões) exibem os valores medianos mais baixos para este segmento.
Apesar da queda de oferta e procura no Porto, os preços aí subiram 4% no último ano — o aumento mais expressivo entre as áreas analisadas — enquanto Lisboa registou uma subida de 1%, possivelmente consequência da procura que foi absorvendo o stock disponível.
No sul, em Faro, os preços mantiveram‑se estáveis, enquanto em quatro dos distritos e ilhas monitorizados houve uma queda de preços, com Leiria a registar a maior redução (-18%).
A evolução dos valores pode ainda ser afetada por pressões sobre os custos de construção — nomeadamente por reflexos no preço da energia oriundos de conflitos como o do Irão —, capazes de influenciar a dinâmica futura deste nicho de mercado, salienta o mesmo estudo do idealista.