Afinal o maior impacto sobre os preços dos alimentos vem dos impostos. A conclusão é do jornal Eco que descompôs toda a cadeia dos produtos alimentares e verificou que as empresas estão a diminuir as suas margens de lucro enquanto o Estado viu a sua receita fiscal de 2022 aumentar 11,6%, para mais de 58,5 mil milhões de euros. Só a receita do IVA cresceu 18,5%, conforme diz aquele jornal, citando os dados da execução orçamental.
E, realça o ECO, que na última década não tinha existido uma tão grande diferença entre o crescimento da receita fiscal e o crescimento da receita gerada com a cobrança do IVA. Tudo isto enquanto, e de acordo com a projeção do Banco de Portugal, o consumo privado tem um crescimento de 5,9%. Mais ou menos um terço do aumento da taxa de crescimento da receita arrecadada em IVA.
Para uma melhor compreensão da cadeia dos alimentos, aquele meio detalha que a MC fechou os primeiros nove meses do ano passado com uma margem de lucro de 9,31%, face a 9,90% no mesmo período do ano anterior. Já a Jerónimo Martins teve uma margem de EBITDA de 5,87%, contra 5,92% no mesmo período de 2021. Ou seja, ambas as empresas encaixaram parte subida dos preços, não a passando para o consumidor.
E, embora as produtoras de energia sejam alvo de críticas relativamente aos valores que praticam, as contas da EDP e da Galp Energia também mostram que as margens de lucro caíram. No caso da EDP, passou de 24,8% em 2021 para 21,9% no ano passado e no caso da Galp, o EBITDA foi de 14,3% em 2022 e de 14,4% em 2021.
Num terceiro olhar, agora pelas contas dos produtores, foram analisadas a Nestlé, a Unilever e a Procter & Gamble. Cujas margens também caíram. A Nestlé viu a sua margem de lucro cair para 20,4% em 2022, quando em 2021 tinha conseguido 21,2%. Já a Unilever obteve 19%, contra os 22% de 2021. E a Procter & Gamble além de baixar a margem EBITDA de 28% para 26%, baixou também a margem bruta de 51,4% para 47,6%.