INE. Desemprego dispara quase 15% em outubro e soma mais 8% em novembro

Em novembro, o contingente de desempregados continuou a subir bastante em novembro, mais de 8% em termos homólogos, dizem os dados do INE, ainda provisórios.
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O número de pessoas sem trabalho aumentou 14,8% em outubro de 2020 face a igual mês de 2019, indicam os dados definitivos do inquérito ao emprego mensal do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgado esta quinta-feira. Em novembro, o contingente de desempregados continuou a subir bastante em novembro, mais de 8% em termos homólogos, dizem os dados ainda provisórios.

Já a taxa de desemprego (conceito da Organização Internacional do Trabalho, OIT) situou-se em 7,5% da população ativa em outubro. Embora a intensidade do desemprego tenha recuado ligeiramente (menos 0,4 pontos percentuais [p.p.] face a setembro), em termos homólogos subiu bastante por causa da crise viral e dos estragos feitos na economia.

Um ano antes, em outubro de 2019, antes de a pandemia começar, o desemprego estava nos 6,5%.

Em todo o caso, em termos intranuais, nota-se que o desemprego tem vindo a baixar face aos valores elevados da primeira fase da pandemia.

Segundo o INE, o número de pessoas oficialmente sem trabalho rondará agora 387 mil (outubro) e 375 mil casos (novembro). Destes, cerca de 80 mil são jovens com menos de 25 anos, mostra o INE.

A taxa de desemprego média total (janeiro a novembro) está agora nos 7%, valor que compara com os 8,7% estimados pelo governo para o ano de 2020 como um todo. O Banco de Portugal previu 7,2% em dezembro.

Novo confinamento continua a mascarar o desemprego

No entanto, o alívio no desemprego pode ser enganador, pode ser aparente, porque muitas pessoas podem estar limitadas na procura por trabalho devido às restrições de mobilidade e horárias impostas pelas autoridades, avisa o instituto.

Tal como aconteceu na primeira vaga da pandemia e das medidas de confinamento, atualmente, "o impacto da pandemia, decorrente das restrições à mobilidade e disponibilidade e dos apoios concedidos, continua a influenciar o comportamento do mercado de trabalho", avisa o INE.

Embora o grau de restrições não seja tão elevado, o setor do turismo, da restauração, do alojamento, continua a defrontar-se com medidas que limitam os negócios e a mobilidade das pessoas, o que pode estar a mascarar o desemprego real.

Depois de um verão mais relaxado e ameno, regressou o estado de emergência e com este várias medidas pesadas de confinamento, como as limitações de horários e o recolher obrigatório, medidas cuja severidade é maior nos concelhos de risco pandémico muito elevado.

O INE relembra que medidas como restrições à livre circulação de pessoas tiveram impacto na classificação das pessoas segundo a Condição Perante o Trabalho no Inquérito ao Emprego

"Pessoas anteriormente classificadas como desempregadas e pessoas que efetivamente perderam o seu emprego foram (corretamente, do ponto de vista estatístico) classificadas como inativas caso não tenham feito uma procura ativa de emprego, devido às restrições à mobilidade, à redução ou mesmo interrupção dos canais normais de informação sobre ofertas de trabalho em consequência do encerramento parcial ou mesmo total de uma proporção muito significativa de empresas".

Além disso, "também a não disponibilidade para começar a trabalhar na semana de referência ou nos 15 dias seguintes, caso tivessem encontrado um emprego, levou à inclusão na população inativa".

Atualmente, o grau de confinamento não parece ser tão elevado quanto na primeira vaga, mas o INE considera que as restrições em vigor continuam a influenciar os indicadores do mercado de trabalho.

No entanto, as últimas notícias sobre a pandemia são muito negativas. O número de novos casos superou anteontem as 10 mil infeções diárias, o número de mortos passou a barreira dos 90, o que pode levar o governo a impor um confinamento mais pesado em algumas regiões.

Isto tenderá a cavar mais o fosso entre o desemprego real e o desemprego visível, pois muitos voltarão a ficar escondidos na condição de inativos. Não conseguem procurar e encontrar trabalho, apesar de terem essa vontade.

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