Depois de a taxa de inflação ter abrandado para 4% no mês maio, o que se deveu ao efeito base do aumento de preços na energia e alimentos em 2022 e, também, devido ao impacto do IVA zero num cabaz de bens alimentares essenciais, o Instituto Nacional de Estatística (INE) estima uma nova desaceleração da inflação para o mês de junho. Em junho, a variação do Índice de preços no Consumidor (IPC, indicador que mede a inflação) terá diminuído para 3,4%, menos 0,6 pontos percentuais do que em maio.
O valor apurado corresponde a uma estimativa preliminar, divulgada esta sexta-feira. O gabinete de estatística nacional divulga a 12 de julho os dados finais. Confirmando-se o IPC nos 3,4%, junho regista a taxa mais baixa desde janeiro de 2022. Aliás, o mês de junho é o oitavo mês consecutivo em que o INE anota uma desaceleração na subida de preços.
"Esta desaceleração continua a ser em parte explicada pelo efeito de base, resultante do aumento de preços dos combustíveis verificado em junho de 2022", lê-se.
Para o indicador de inflação subjacente, que não contabiliza produtos alimentares não transformados e energéticos, é estimada uma variação de 5,2%, o que representa um abrandamento de 0,2 pontos percentuais face a maio. Confirmando-se também este dado, trata-se do quinto mês em que a inflação subjacente desacelera.
O indicador da inflação subjacente, segundo o INE, exclui "algumas das componentes mais expostas a choques temporários". Assim, o contágio da subida de preços nos setores mais voláteis a setores mais estáveis não se tem agravado.
De acordo com o INE, a variação do índice relativo aos produtos energéticos "diminuiu para -18,8% (-15,5% no mês precedente)" e que o índice referente aos produtos alimentares não transformados "terá desacelerado para 8,5% (8,9% em maio)".
Quanto ao índice referente aos bens alimentares não transformados, o INE revela uma nova desaceleração para 8,5% em junho, após ter abrandado para 8,9% em maio. Neste ponto, depreende-se que se continua a registar efeitos pela entrada em vigor do IVA Zero.
O INE acrescenta, ainda, que a taxa de variação média nos últimos 12 meses foi de 7,8% (contra 8,2% registados no ano acabado em maio). Já o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português terá registado uma variação homóloga de 4,7% em junho, que compara com 5,4% no mês precedente.