A inflação voltou a cair em abril para 5,7%, uma redução de 1,7 pontos percentuais em relação a março, quando este indicador atingiu os 7,4%, segundo a estimativa rápida Instituto Nacional de Estatística (INE) publicada esta sexta-feira. É o sexto mês consecutivo em que se verifica uma desaceleração.
"Esta desaceleração é em parte explicada pelo efeito de base resultante do aumento de preços da eletricidade, do gás e dos produtos alimentares verificado em abril de 2022", explica o INE. Ou seja, os valores da energia e dos produtos alimentares não transformados registaram uma queda acentuada em abril em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Em termos homólogos, os preços dos produtos energéticos caíram 12,7%, um recuo de 8,3 pontos percentuais face ao mês precedente, e o índice referente aos produtos alimentares não transformados terá desacelerado para 14,1%, quando em março a taxa de variação registada em março foi de 19,3%. Ainda assim, os preços dos alimentos continuam elevados.
O INE destaca que "a grande maioria dos preços considerados no apuramento do Índice de Preços no Consumidor (IPC) de abril foram recolhidos antes da entrada em vigor da isenção de IVA num conjunto de bens alimentares essenciais, pelo que os eventuais efeitos desta medida só terão efetivamente impacto no IPC em maio".
Recorde-se que o governo inscreveu no Programa de Estabilidade 2023-2027 uma inflação estimada para este ano de 5,1%, quando anteriormente apontava para 4%.
O indicador de inflação subjacente, excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos, terá diminuído, em abril, de 7% face à variação de 6,6% verificada em março, indica ainda o INE. Este é o terceiro alívio consecutivo da "inflação crítica", índice que está sob o radar do Banco Central Europeu (BCE) na estratégia de juros elevados para travar a inflação. A meta do BCE é forçar o índice a baixar até aos 2%.
Comparativamente com o mês anterior, o indicador de abril abrandou para 0,6%, uma descida de 1,1 pontos percentuais relativamente a março. Há um ano, a taxa de variação mensal do IPC era de 2,2%.
Já o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português, que permite comparar a evolução dos preços com os restantes países da União Europeia, terá registado uma variação homóloga de 6,9%. O valor compara com os 8% registados no mês anterior.
Os dados definitivos do IPC do mês de abril serão publicados no próximo dia 11 de maio.
(Notícia atualizada às 11h36)