Insolvências deverão subir 20% no próximo ano em Portugal

Estudo da Allianz Trade aponta o disparar dos custos energéticos, a par do aumento da inflação e das perturbações nas cadeias logísticas como os principais causadores das dificuldades das empresas
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As insolvências em Portugal deverão aumentar 2% em 2022, mas a situação deverá alterar-se "de forma muito significativa" no próximo ano, com uma subida de 20%, quatro pontos percentuais acima da previsão anterior. No total, são esperadas 2.230 insolvências em Portugal este ano e 2.680 no próximo. A estimativa é da Allianz Trade, que justifica esta subida dos números das falências em Portugal com o agravamento das pressões inflacionistas na economia mundial, a crise energética e as perturbações nas cadeias de abastecimento.

Em causa está o estudo 'Energy cirsis, interest rates shock and untampered recession could trigger a wave of bankruptcies', da Allianz Trade, acionista da Cosec - Companhia de Seguro de Créditos, e que conclui que, depois de dois anos a cair, o número das insolvências deverá agora sofrer uma "aceleração à escala mundial". A subida da fatura energética, que "vai continuar a ser um dos principais elementos a pressionar" os lucros das empresas, em especial na Europa, é um dos principais fatores apontados, já que, com a crescente quebra na procura, poderá mesmo "eliminar os lucros da maioria das não financeiras". Além disso, o "choque das taxas de juro" e a "aceleração dos salários" vão também pressionar os resultados das companhias.

Na zona euro, o estudo aponta para um aumento das falências em 20% este ano e 18% no próximo, e de 18% e 17%, respetivamente, no todo da União Europa, que ultrapassará já os nível de insolvências de 2019, ou seja pré-pandemia, este ano. Portugal ficará ainda 13% abaixo de 2019, mas, no próximo ano, é esperado que ultrapasse já em 5% os valores de falências antes da covid-19.

Na análise por países, a Allianz aponta para um crescimento de 46% nas insolvências em França este ano e de 29% em 2023, correspondente a 41.130 este ano e a 53.200 no próximo. Menos dramáticos são os números da Alemanha, o motor económico da UE, que deverá registar uma subida de 5% em 2022 e de 17% no próximo ano, atingindo as 14.700 e as 17.150 falências, respetivamente.

No Reino Unido são esperadas 24.700 insolvências este ano e 27.100 no próximo, o que representa um acréscimo 51% em 2022 e de 10% em 2023.

"A subida do número de insolvências das empresas é já uma realidade para a maioria dos países, em particular para os principais mercados europeus (Reino Unido, França, Espanha, Holanda, Bélgica e Suíça), o que explica dois terços desta subida. A nível global, metade dos países que analisamos registaram aumentos de dois dígitos nas insolvências de empresas na primeira metade de 2022. Contudo, os EUA, China, Alemanha, Itália e Brasil continuam a registar níveis baixos de insolvências, mas a tendência deverá inverter-se no próximo ano", refere, citada no comunicado, Maxime Lemerle, analista principal da área de Insolvency Research da Allianz Trade.

A nível global, a expectativa é que as insolvências subam 10% em 2022 e 19% em 2023, sendo que nos Estados Unidos da América, a maior economia do mundo, deverão crescer 2% este ano e 38% no próximo. A China, a segunda maior economia do globo, deverá registar, este ano, uma quebra de 7% nas falências, mas, é esperado que, em 2023, estas cresçam 15%.

"Esta normalização das insolvências de empresas continua a ser heterogénea tanto em termos de setores como quanto à dimensão das empresas. Na Europa, estamos a assistir a uma retoma das insolvências em pouco menos de 60% dos setores, com um regresso aos níveis pré-pandémicos mais notório em setores como a alimentação/alojamento, manufatura, e a área dos serviços vocacionados para o B2C. Ao mesmo tempo, a recuperação global provém principalmente das insolvências de pequenas empresas, comprovada pelo número moderado de insolvências de grandes empresas", destaca, por seu turno, Ano Kuhanathan, responsável da área de Corporate Research da Allianz Trade.

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