"São cerca de 2,5%, e o caso mais comum é a deriva e desgaste dos contadores volumétricos", explica Alexandra Costa, responsável do departamento de laboratório do ISQ. O consumidor ficou prejudicado? Essa hipótese não pode ser rejeitada.
Mas como se detetam essas irregularidades? Com a metrologia. Uma ciência que está presente é quase todos os aspetos da nossa vida, porque é a ciência da medição, essencial nos setores da economia, da saúde, da segurança e do ambiente.
Na altura de abastecer o automóvel, já se deu conta de um selo que indica quando a bomba de combustível foi verificada e quando deve ser feita a nova verificação? Se esse selo estiver dentro do prazo, então não há motivo para preocupações. Se pagou 50 litros de combustível, o seu depósito recebeu essa mesma quantidade. Nem mais nem menos.
A garantia de que os equipamentos estão a funcionar de acordo com as regras é feita através de uma aferição anual das mangueiras das bombas de combustível. Na região Norte, essa tarefa foi entregue pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ) à ISQ, uma entidade privada e independente com 50 anos de atividade, que presta serviços de inspeção, ensaio, formação e consultoria técnica.
As equipas técnicas do ISQ verificam o estado das mangueiras, isto é, veem se estas têm ou não fugas, fazem medições por litros retirados da bomba, como qualquer consumidor, e medem se os litros registados no contador são o que estão no depósito. Além disso, confirmam que a contagem só começa no momento em que é pressionado o manípulo.
"Uma verificação imposta por lei e que protege quer o consumidor quer o distribuidor", explica José Medina, diretor do ISQ. Após a aferição, é colocado no posto de combustível um selo que garante ao consumidor a justeza da compra, ou seja não vai pagar mais por menos produto. O preço indicado a pagar corresponde ao combustível com que abasteceu o automóvel.
Quem vende quer o selo
Naturalmente que o vendedor de combustível também beneficia, "É comum que exista um desgaste do equipamento mecânico e, nesse caso, o distribuidor pode estar a ser prejudicado".
A falta de inspeção, bem como as anomalias reportadas ao IPQ, "dão direito a coima, que para as grandes empresas representa pouco, mas para as pequenas já tem o seu peso", frisa José Medina, acrescentando que "ninguém tem interesse em falhar essas inspeções, ninguém quer uma má imagem ou uma má publicidade".
Por outro lado, refere Alexandra Costa, "é bastante simples fazer a marcação das vistorias, embora talvez seja mais complexo no interior do país".
O custo médio das vistorias pagas pelos distribuidores situa-se nos 51 euros por cada mangueira de combustível.
Temperatura é essencial para manter alimentos
Como se avalia ou se verifica se o transporte de alimentos frescos em camião é feito em segurança, isto é, sempre à mesma temperatura? Através da termografia. É reconhecido que a cadeia do frio compreende todo o processo de armazenamento, conservação, distribuição, transporte e manipulação dos produtos, com o controlo da baixa temperatura. Qualquer falha nesta cadeia pode comprometer a qualidade dos produtos.
"O que se sabe é que manter as temperaturas baixas nos grandes camiões que transportam alimentos frescos implica um gasto de gasóleo muito superior, e o que se verifica é que muitas vezes a refrigeração é desligada durante o percurso e voltada a ligar no final", refere José Medina.
Para combater essa situação, "porque também se está a falar de segurança alimentar, temos que utilizar a termografia", ou seja, fazer a análise durante todo o percurso dos valores de temperatura obtidos a partir de câmaras termograficas.
Essa análise é feita pelo ISQ em todo o país e no primeiro semestre de 2014 foram feitas 2.385 verificações, enquanto que no primeiro semestre de 2015 realizaram-se 3.695 verificações. "Este aumento de verificações nos termógrafos deve à sensibilização aos agentes económicos para o cumprimento legal", afirmou Alexandra Costa.
Neste caso "a taxa de rejeição é muito baixa, inferior a 0,3%,e a principal causa é a troca de sondas de temperatura ou número de séries trocados". Além disso acrescentou a responsável, "a principal ilegalidade é o uso de equipamentos sem aprovação modelo e os quais o ISQ não pode fazer a verificação, pois não estão de acordo com o sistema".