Inteligência artificial reforça segurança

Plataforma criada por dois jovens ajuda na captação e tratamento das imagens de câmaras de segurança. Eficácia ronda os 90%.
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Uma plataforma criada por dois jovens vem dar uma ajuda na captação e tratamento das imagens registadas por câmaras de segurança. A eficácia ronda os 90%. Mais rápido do que o olho humano. É assim este projeto que usa inteligência artificial e que foi criado por dois jovens engenheiros para reforçar a eficácia das câmaras de segurança, respeitando sempre a privacidade das pessoas. Com este sistema, a Heptasense, uma startup fundada em março de 2017, por Mauro Peixe e Ricardo Santos, concorreu ao Prémio Inovação Nos.

A empresa dedica-se ao desenvolvimento de tecnologia de reconhecimento de imagem, nomeadamente do comportamento humano e do reconhecimento do mesmo. Este software “vigia” quer quem frequenta o espaço (clientes) quer quem nele trabalha.

“Desenvolvemos uma plataforma que permite a ligação às câmaras de segurança de qualquer instituição. Este sistema possibilita fazer a análise das pessoas e detetar ameaças ou condutas impróprias”, diz.

O dispositivo faz dois tipos de análises: ao espaço e ao trabalhador. No primeiro caso, são registadas ações como a deteção de pessoas a roubar, comportamentos suspeitos (olhar para a câmara, agrupamento de pessoas); comportamentos gerais (lutar, cair, fumar, correr); ou pessoas não autorizadas em determinados espaços. Na segunda situação, dirigida aos funcionários, são detetadas posturas de trabalho incorretas (que podem originar acidentes de trabalho); ausência de proteção devida (o não uso de capacete, luvas ou botas); ou manuseamento incorreto de máquinas. A análise é feita em tempo real, sem violação de privacidade, estando assim de acordo com o Regulamento Geral de Proteção de Dados.

Foram falhas detetadas nos atuais sistemas de segurança que levaram à criação deste projeto. Segundo Mauro Peixe, “tem-se assistido a um grande investimento na área da segurança, mas basta ler o jornal para verificarmos que o crime não abranda. A infraestrutura de segurança não é suficiente, não combate nem previne o problema. Já a eficácia deste projeto ronda os 90%”.

Mauro Peixe e Ricardo Santos acreditam que esta plataforma excede em larga escala o que o humano consegue fazer para ajudar a infraestrutura de segurança a funcionar melhor, por uma razão simples: “O nosso cérebro não consegue processar dezenas e, às vezes, centenas de imagens de monitores ao mesmo tempo. É humanamente impossível fazê-lo.”

Este software permite que as câmaras de segurança detetem qualquer tipo de ameaça, de forma a alertar o segurança em tempo real, e este agir em conformidade. O próximo passo é eliminar o fator humano do processo de visualizar ecrãs para que possa fazer outro tipo de vigilância, como a de proximidade.

Enquanto em Portugal a Heptasense está a dar os primeiros passos em parceria com a Vodafone e com a Brisa, já está instalada na Alemanha, França, Reino Unido e Espanha.

À medida que o negócio cresce, o mesmo acontece com staff. A equipa começou com os dois fundadores e agora tem seis trabalhadores. Mauro e Ricardo deixam um recado: “Estamos a recrutar. Precisamos de entre sete e dez pessoas, em áreas como a engenharia, o desenvolvimento de negócios e o marketing.”

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