A InterCement, acionista maioritária da Cimpor, convocou esta tarde uma assembleia-geral extraordinária para o próximo dia 21 de junho, onde irá propor - e aprovar - a retirada da Cimpor da bolsa portuguesa. A InterCement é detida pelos brasileiros da Camargo Côrrea.
Em comunicado agora enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a acionista maioritária da Cimpor, com cerca de 95% do capital, explica que esta AG extraordinária terá como ponto único a deliberação "sobre a perda da qualidade de sociedade aberta" da Cimpor.
A cimenteira conta atualmente com apenas 4,9% das suas ações disponíveis para transação em bolsa - free float -, razão pela qual apresenta "níveis de transação em mercado pouco significativos" e não consegue fazer parte "da composição dos principais índices bolsistas".
A InterCement vai assim avançar com uma proposta sobre este punhado de ações que não detém, prometendo oferecer o "valor equivalente ao preço médio ponderado das ações da Cimpor no mercado Euronext durante os últimos 6 meses", ou seja, pouco mais de 31 cêntimos por título - o que pode obrigar a um investimento de aproximadamente 11 milhões de euros.
Além do reduzido free float da Cimpor, a Camargo Côrrea justifica a decisão também com o "aparente afastamento" dos acionistas minoritários do dia-a-dia da cimenteira, "evidenciado pela ausência dos mesmos" em assembleias-gerais recentes.
Além disso, também "a evolução negativa das operações industriais" no Brasil e a "deterioração dos capitais próprios" e da dívida da empresa, que evidenciaram "não estarem reunidas as condições para prosseguir, no curto prazo, com o aumento de capital" antes previsto para a empresa, são apontadas como razões para a decisão agora comunicada.
No início de abril último, a mesma InterCement tinha aprovado um aumento de capital para a Cimpor em até 2000 milhões de euros, através de uma ou várias operações. Volvidos menos de dois meses, tudo mudou.
"Considera a InterCement mais adequado à presente situação, designadamente para os acionistas minoritários da Cimpor, proceder à exclusão da negociação das ações da Sociedade do mercado regulamentado, por via da perda de qualidade de sociedade aberta", refere a acionista maioritária da cimenteira no comunicado à CMVM.
Apesar desta decisão, os brasileiros admitem numa fase posterior, e "perante uma alteração positiva das circunstâncias que hoje afetam as economias dos países onde a empresa opera", voltar a abrir o capital da Cimpor - o que todavia nunca poderá ocorrer no prazo de um ano desde a retirada de bolsa.
Sobre a atividade da Cimpor, a InterCement sublinha que "esta proposta não pretende afetar as atividades da companhia em Portugal ou nas restantes geografias onde opera".