Invasão da Ucrânia acelera revolução financeira

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Após um mês do início da invasão Russa à Ucrânia, conseguimos já juntar dados suficientes para perceber que estamos perante uma guerra com muitas vítimas civis e grande impacto económico global. Mas as consequências vão além disso, talvez mesmo com o surgimento de uma "Nova economia digital e autónoma".

Independentemente do desfecho deste conflito, podemos claramente observar o efeito colateral da guerra e das sanções aplicadas pela OTAN e os seus aliados à Rússia, na economia global e na forma como os mercados, os diversos setores da economia e as pessoas têm reagido perante este impacto.

Regressemos ao dia 24 de fevereiro quando se deu a invasão da Ucrânia pela Rússia. Assistimos a partir desse dia a um pânico generalizado da população ucraniana pela dificuldade em levantar e ou transferir dinheiro para os países para onde estavam a fugir. Os bancos limitaram levantamentos, transferências internacionais e pagamentos, na tentativa de evitar uma falência imediata ou uma abrupta desvalorização da Hryvnia (moeda ucraniana).

Na Federação Russa houve uma reação semelhante da população e uma resposta idêntica dos bancos. No estrangeiro, cidadãos com contas em bancos russos ficaram impedidos de as utilizar.

Naturalmente que estas limitações são frustrantes para os cidadãos comuns. A impossibilidade de movimentar as próprias contas pode gerar um sentimento de insegurança por parte de pessoas e empresas que, mesmo possuindo dinheiro para a normal gestão das suas vidas e investimentos, só conseguem utilizá-lo se o banco e o Estado o permitirem.

Este facto deixa russos, ucranianos e o resto do mundo cientes de que o dinheiro que possuem no banco pode não estar à sua disposição ou até ser perdido por uma falência da instituição bancária, por má gestão, por exemplo.

Ora, isto não acontece na tecnologia descentralizada proposta pela Blockchain, como é o caso de criptomoedas.

Não existirem limitações de transferências, o dinheiro não poder ser congelado por uma entidade ou Estado e as operações serem feitas sem rastreio, são aspetos que tornam as criptomoedas um meio financeiro muito atraente para a nova economia, dando ao proprietário do dinheiro digital um sentimento de segurança e liberdade sobre os seus bens, exatamente o oposto do que os meios tradicionais oferecem.

O facto de já haver também a possibilidade de compras e levantamentos em sistemas tradicionais, através de cartões de débito de criptomoedas (lançados por exchanges como a Visa), coloca em pé de igualdade os cartões de débitos de bancos tradicionais e os cartões de débitos de criptomoedas, pois o pagamento ou levantamento em ATMs é feito da mesma forma e sem complicações.

As grandes exchanges de criptoativos têm feito uma grande aposta na normalização acelerada do uso das criptomoedas junto de vastos segmentos da população ativa e jovem adulta, revolucionando o sistema financeiro tradicional. A crypto.com, por exemplo, acaba de assinar um contrato para renomear o icónico "Staples Center" de Los Angeles como "Crypto.com Arena" e já anunciou um acordo com a FIFA para patrocinar o Mundial de Futebol 2022 no Qatar.

Um acontecimento trágico como a invasão da Ucrânia veio dar ainda mais força a uma revolução financeira em curso. O dinheiro digital vai ser, cada vez mais, um meio de democratização do sistema financeiro global. Pela primeira vez após a criação do sistema bancário, em 1406, cada cidadão é livre de decidir onde pretende alocar o seu dinheiro.

Lázaro de Pina Ramos, CEO da Rhamos Properties

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