A vitória de François Hollande com 28,29% nas Presidenciais francesas e, acima de tudo, o resultado inesperado obtido pela candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen, que atingiu 18,48% dos votos, não animaram os mercados bolsistas e de dívida.
A bolsa parisiense abriu com uma queda de 1,64% e os títulos de dívida francesa a 10 anos foram negociados a um valor superior, subindo de 3,081%, registado no fecho de mercado da semana passada, para 3,090% esta manhã, segundo dados da Agência France Press.
A reação dos mercados não se tem cingido, contudo, a França, fazendo-se sentir um pouco por todas as praças europeias.
Pouco depois das 9 horas, Frankfurt perdia 2,32%, Londres 1,54%, Milão 3,01 e Madrid 2,95%, de acordo com a AFP.
Também o mercado de dívida europeu se ressentiu da incerteza causada pelas eleições em França. Os juros da dívida em Espanha atingiram os 5,990% (contra 5,937% no final de sexta-feira) e em Itália, os 5,712% (face a 5,651%. Apenas o "bund" alemão desce para 1,669%, contra 1,707%.
As estratégias propaladas por Hollande para o combate à crise da dívida "não agradam a todo o mundo", observou Christian Schmidt, um analista da Helaba.
"Há necessariamente uma incerteza sobre a segunda volta, em relação às políticas que podem vir a ser tomadas, ao relacionamento com a Alemanha e à eventual renegociação do tratado europeu", realçou o gerente do Barclays, Renaud Murail.
Se a vitória de Hollande e a incerteza relativa ao desfecho da segunda volta eram situações aguardadas e previstas por vários analistas, já o resultado da candidata de extrema direita Marine Le Pen, que chegou perto do limiar dos 20%, causaram maior perplexidade.
"A principal mensagem da primeira volta é a de que uma grande proporção da população rejeita as políticas vistas como necessárias para fazer face à situação económica, que serão matéria do próximo presidente", sustentam analistas da Chevreux, citados pelo Le Monde.