Entre as últimas semanas de julho e o
final de agosto, nascem discotecas como cogumelos, no Algarve. Com a
licença de ruído (cerca de 400 euros) e um espaço ao ar livre
faz-se a festa, e até há bares a funcionar em bombas de gasolina na
marina de Vilamoura, garante José Manuel Trigo, que há 25 anos tem
o T-Clube na Quinta do Lago mas já só abre na época alta. "Estas
discotecas pop up rebentaram com o negócio", diz, e admite estar a
olhar para fora. "São Paulo, Luanda e Dubai são possibilidades.
Fiz prospeção de mercado e vou ao Brasil em setembro. Vamos ver. Em
Angola abri o Switch supper club no hotel Sana em junho." Quanto ao
Algarve, assegura, "o T-Clube vai continuar". "Ainda há quem
saiba distinguir entre tomar café no Ritz e na porta ao lado."
O vizinho de que Trigo fala são as
casas que abrem e fecham num mês e atraem multidões. "Montar uma
máquina como o Bliss (estrada de Vilamoura, com target nos 20-25
anos) e o Grouppie (na marina, 18-20) custa uns largos milhares de
euros", diz Diamantino Martins. José Rafael (sócio de José
Pereira, o cunhado de Cristiano Ronaldo, no Seven Vilamoura) e Nuno
Santana (Meo Spot Portimão e Quinta do Lago) atiram mais para cima:
um a dois milhões.
Já ninguém sai por sair. É preciso o
espaço giro, bom ambiente, mas essencial contratar os melhores DJ e
assegurar as festas mais concorridas. É aí que entram as equipas de
relações--públicas. Além das 70 pessoas que trabalham no Seven de
19 de julho a 18 de agosto, divididas por dois espaços (o para
miúdos até aos 25 e a área VIP), José Rafael conta com uma equipa
de 150 RP e promotores. "No Grouppie/Bliss temos oito equipas, 200
pessoas a puxar gente. O investimento só compensa se tivermos muito
sucesso", diz Diamantino. É por isso que nos dois Meo Spot há 200
pessoas a trabalhar de 26 de julho a 24 de agosto, mas o projeto já
leva meses de moldagem: "A Niu, empresa de ativação de marca
responsável pelo Meo Spot há três anos [em sociedade com a Media
Capital e o main sponsor Meo], tem uma equipa de seis que só tem
isto na agenda."
Consumo médio ronda 20euro
Num ano em que, concordam todos, as
pessoas pensam duas vezes antes de gastar, há que cativar. "Há
menos gente e gasta-se menos, uns 20 a 30 euros por noite", calcula
José Manuel Trigo. "Em comparação com o ano passado, as pessoas
consomem só o obrigatório", concorda José Rafael, que estreou o
Seven em 2012 e recebe em média 2500 pessoas por noite.
Com o fenómeno do botellon a ganhar
espaço entre os mais novos - "Muitos têm verdadeiros bares no
porta-bagagens", conta Nuno Santana -, cobrar pela entrada
tornou-se regra. No Seven são 10 a 20 euros de consumo obrigatório,
no Meo Spot 10 a 12, no Grouppie fica pelos seis e no Bliss vai de 12
a 20 euros.
Há quem não tenha razões de queixa.
Diamantino Martins, que gere a área VIP do Bliss - 15 mesas, com
preços entre 250 e 1500 euros -, garante que tem o espaço esgotado
até 24 de agosto, quando fecha as portas. "Poupa-se de outra
forma... janta-se em casa." Claro que há aqui um fenómeno de
peso: "Temos muitos filhos de angolanos, com casa no Algarve, que
trabalham ou estudam em Portugal e têm um poder de compra
extraordinário."
Uma festa branca por noite
Mas mesmo com bons clientes é preciso
oferecer mais que a concorrência. Conta-se com patrocinadores e
parceiros. O Bliss, com uma média de três mil clientes/noite, pôs
uma banca da My Label na área VIP, onde um par de promotoras retoca
a maquilhagem dos clientes (sim, há homens a querer disfarçar
olheiras). E o restaurante Bliss"Co serve petiscos e doces
tradicionais em parceria com os produtos gourmet Continente. "Temos
tido imensos elogios."
O Seven e o Meo Spot apostam em DJ e
festas temáticas - "Há uma festa branca por noite, no Algarve",
diz José Manuel Trigo. "O Meo Spot não é um negócio de venda de
álcool mas de ativação de marca", sublinha Nuno Santana. "As
marcas querem estar junto dos jovens e sabem que é importante esta
interação, dos miúdos de 18 anos aos ouvintes da M80. Temos 56
eventos seguidos, mas hoje posso ter quatro mil clientes e amanhã
400." Já não há fidelidade à casa mas sensibilidade à melhor
oferta. E é isso que justifica a necessidade de chegar a todos. "Em
Portimão temos uma sala de espetáculos, o projeto de massas. A
Quinta do Lago é mais intimista; fomos buscar o património
emocional do espaço (antiga Trigonometria) onde demos os primeiros
beijos, bebemos copos...", diz Santana.
"Investimos muito em cartaz para
abranger todo o tipo de público, porque ninguém vai ao mesmo sítio
dois dias seguidos", justifica José Rafael. "Tivemos aqui um DJ
que recebeu 50 mil euros para tocar duas horas" - um esforço
financeiro, até porque o budget dos patrocínios é menor. "As
marcas estão mais retraídas no investimento e são mais exigentes
com o retorno. E fazem bem. No ano passado, segundo a consultora
Cision, as marcas que investiram no Seven tiveram um retorno de 600%.
Este ano será mais." E para os sócios também compensa: José
Rafael já está a negociar abrir noutros pontos do país. "Não
posso ainda dizer onde, mas começo a trabalhar nisso já em
setembro", disse ao Dinheiro Vivo.