A Irlanda realizou esta manhã a primeira emissão de dívida a 10 anos desde que abandonou o programa de assistência financeira internacional. O livro de ordens da operação com um sindicato bancário já está fechado, com a procura atingir mais de 14 mil milhões de euros. Contas feitas, o tigre celta conseguiu captar 3,75 mil milhões de euros de dívida, com o juro pago a ser de 3,543%.
A Agência Nacional de Gestão do Tesouro irlandês contratou ontem um
sindicato bancário composto pelo Barclays, o Citigroup, o Danske Bank
A/S, o Davy, o Deutsche Bank e o Morgan Stanley, responsável pela
colocação da operação. Este conjunto de bancos foi responsável por 1,75 mil milhões de euros de dívida que foram hoje colocados.
Em comunicado, a agência revela que o interesse investidor na emissão foi ainda mais alargado do que na operação realizada em março de 2013, com o livro de ordens a integrar mais de 400 gestores de fundos, fundos de pensões, seguradoras, bancos e outros investidores, incluindo alguns do Médio Oriente e da Ásia.
"O montante final do livro de ordens e o forte interesse investidor a nível mundial demonstram o apetite investidor por dívida soberana irlandesa e a capacidade da Irlanda em financiar as suas necessidades através dos mercados privados de dívida", diz a Agência.
Apesar do montante elevado da procura, a Agência adianta que decidiu restringir o valor em 3,75 mil milhões de euros para "acomodar os leilões que constam no seu programa de financiamento para o resto do ano".
"É bastante claro tendo em conta a procura muito significativa que se registou hoje que os investidores domésticos e internacionais reconhecem o enorme progresso que a Irlanda tem vindo a fazer", afirmou o presidente da Agência.
John Corrigan acrescentou ainda que a "operação de hoje foi um sucesso e cimenta o regresso da Irlanda aos mercados internacionais de dívida e dá uma forte plataforma para as emissões de 2014".
Esta foi a primeira emissão de dívida de longo prazo da Irlanda desde que
terminou o seu programa de ajuda financeira no mês passado. O 'tigre
celta' decidiu terminar o programa sem recorrer a um programa cautelar, o
que significa que regressará aos mercados sozinho.
Recorde-se
que a Irlanda saiu do programa de ajuda de três anos no passado dia 15
de dezembro, tornando-se assim no primeiro país europeu a fazê-lo desde o
eclodir da crise da dívida soberana em 2009.
Antes da operação
de hoje, Dublin tinha realizado uma emissão de dívida a 10 anos em março
do ano passado, altura em que colocou 5 mil milhões de euros e foi
considerada um sucesso ao demonstrar a confiança investidora, a
capacidade de a Irlanda sair do resgate e o apetite investidor por
dívida dos países periféricos.