A ISA - Intelligent Sensing Anywhere estreia-se amanhã como a
primeira empresa portuguesa a entrar no mercado Alternext. As 1,5
milhões de ações da empresa tecnológica liderada por José
Basílio Simões arrancam amanhã a cotar nos 5 euros por ação.
Em entrevista ao Dinheiro Vivo, José Basílio Simões, revela que
o Médio Oriente e a América do Sul são as apostas de
internacionalização da empresa tecnológica que, em 2011, registou
um crescimento de proveitos de 50% para os 7,6 milhões de euros,
face ao ano anterior.
Um novo produto para o mercado do consumidor é a mais recente
novidade da empresa que vive bem com os tempos de crise.
Gostaria de começar por contar a história da empresa, os
resultados financeiros, o número de clientes...
A ISA foi criada em 1990 e desde o início que o foco é
desenvolver soluções de telemetria e gestão remota, que fomos
aplicando em diversas verticais de mercado. Atualmente, aplicamos na
área de oil&gas, que é a área com mais track record e com mais
presença internacional, e na área da energia, onde englobamos a
eficiência energética e eficiência hídrica. Temos a sede em
Coimbra, temos subsidiárias em outros países, como Espanha ou
França, e somos cerca de 150 pessoas. Em 2011 tivemos cerca de 7,6
milhões de euros de proveitos, o que representa um crescimento de
50% face a 2010, e prevemos que nos próximos anos continuemos a
crescer a este ritmo.
Queremos que entrada em bolsa seja também um marco que nos ajude
neste processo de crescimento e de expansão internacional.
Em termos de clientes, na área de oil&gas, são as grandes
petrolíferas, como a BP, Shell, Repsol, Total, Galp, e na área da
eficiência energética temos a EDP, o BES - que é o maior projeto
em termos de eficiência energética em Portugal que instalámos no
ano passado - a ANA Aeroportos, algumas Universidades, a Câmara
Municipal de Lisboa, entre outros.
Em que mercados atua? Pretende ou vai entrar em novos mercados?
Há mais de dez anos que temos uma presença internacional na área
de oil&gás, fundamentalmente na Europa: Espanha, França,
Inglaterra, Holanda, Alemanha. Com a Europa em desaceleração e, em
contrapartida, como temos outras áreas geográficas como o Médio
Oriente e América do Sul que estão em crescimento, é nessas que
estamos a apostar e criámos um centro de competências nestas duas
regiões. Estas são as nossas apostas em termos de
internacionalização.
Qual o peso das exportações no balanço? São mais fortes lá
fora do que em Portugal?
Nós já exportámos mais de 80% da nossa faturação, quando
tínhamos apenas a área de oil&gas. Como somos uma empresa de
produto não podemos estar fixados apenas em Portugal, temos de
pensar que o nosso mercado é o mundo. Como decidimos alargar para
outras áreas, na eficiência energética, começámos por fazer
negócios em Portugal. Com esta nova área, que no ano passado já
faturou 3 milhões de euros, fez com que o peso do mercado nacional
subisse em comparação com o internacional. As exportações no ano
passado foram cerca de 30%. O que vai acontecer nos próximos anos,
como estamos a internacionalizar esta área, as exportações vão
aumentar de novo. As nossas perspetivas é que em 2013 cheguem aos
60%.
Quais os objetivos para 2012? Vão lançar novos produtos?
Com a entrada em bolsa, um dos cuidados que temos de ter é muito
rigor na informação financeira que passamos. Vamos aproximar-nos
dos 10 milhões de euros de proveitos, crescendo sensivelmente como
fizemos no ano passado. Além da expansão internacional, queremos
consolidar as vendas nestes mercados e há um outro objetivo que é o
lançamento de um produto para o mercado do consumidor. A ISA fez
sempre negócio B2B
(Bussiness-to-bussiness) em que os nossos clientes são as grandes
empresas. Pela primeira vez, estamos a lançar um produto junto do
consumidor, que permite medir o consumo de energia em casa em tempo
real e ter essa informação disponível em aplicações móveis.
Este é um passo e um marco muito importante para a vida da empresa,
porque o mercado do consumidor tem regras muito diferentes e que pode
permitir também um escalar muito significativo das vendas.
Os consumidores são o target de aposta?
Estamos sempre a criar produtos mas também os desenvolvemos e os
fazemos evoluir. É complementar, não vamos deixar de apostar e de
continuar a crescer no mercado das empresas, que é a nossa aposta,
mas este mercado pode catapultar as vendas e temos todas as condições
para abordar este mercado, e queremos fazê-lo através de parcerias.
Não queremos vender diretamente ao consumidor final, será através
de parceiros.
As áreas em que atuam têm espaço para crescer?
Têm todo o espaço para crescer porque o que está feito até
hoje é quase nada. Se olharmos para a administração pública não
está praticamente nada feito. Do projeto que desenvolvemos com o
BES, em que estamos a fazer a gestão de energia de toda a rede de
edifícios e de balcões, foi o primeiro projeto de dimensão em
Portugal, foi instalado no ano passado e está em velocidade
cruzeiro, mas há mais casos pontuais. Há muito pouca coisa feita e
ainda há muito por fazer a este nível.
A crise afetou-os de alguma forma?
A crise afeta sempre, as pessoas atrasam as suas decisões e
precisam de encontrar meios de financiamento alternativos para
avançar com os projetos. Mas a oferta que a ISA tem acaba por ser
procurada em momentos de crise, que é quando as pessoas precisam de
racionalizar os seus consumos, as suas despesas, e a ISA fornece as
ferramentas e os serviços para isso. Todas as crises têm as suas
vantagens, a sabedoria é saber tirar partido delas, mas para a ISA é
preferível estarmos numa conjuntura em que as pessoas estão muito
atentas.