Os responsáveis pela tutela da Defesa dos Emirados Árabes Unidos e de Israel reuniram-se hoje via telefone, expressando o desejo dos dois países, que selaram recentemente um acordo classificado como histórico, estabelecerem "relações sólidas", divulgou a agência oficial WAM.
Este contacto entre o secretário de Estado da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed ben Ahmad al-Bawardi, e o ministro israelita com a mesma pasta, Benny Gantz, coincide com o périplo que o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, está a fazer pela região do Médio Oriente, com o intuito de convencer outros países árabes a seguirem o exemplo de Abu Dhabi.
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As autoridades dos Emirados Árabes Unidos e de Israel têm multiplicado os contactos desde o anúncio, em 13 de agosto, de um acordo de normalização de relações, classificado como histórico, entre os dois países.
Durante a conversa telefónica, e de acordo com a agência oficial dos Emirados (WAM), Mohammed ben Ahmad al-Bawardi e Benny Gantz expressaram a sua convicção de que "o acordo vai reforçar a paz e a estabilidade na região".
Também manifestaram igualmente o desejo de "estabelecer relações sólidas que serão benéficas para os dois países e para a região", indicou ainda a mesma fonte.
"Partilhamos interesses securitários importantes e a cooperação entre os nossos países irá fortalecer a estabilidade regional", disse, por sua vez, o ministro da Defesa israelita, num comunicado.
Na segunda-feira, os ministros da Saúde dos dois países também mantiveram uma conversa telefónica, na qual analisaram um aprofundamento da cooperação médica para lutar contra a pandemia da doença covid-19.
Na área específica da Saúde, vários acordos estão a ser estabelecidos entre empresas israelitas e dos Emirados com o objetivo de produzir um teste de diagnóstico rápido.
O anúncio do histórico acordo de normalização de relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos foi feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
O pacto representa uma vitória em termos de política externa para Trump a poucos meses de tentar a reeleição, refletindo uma mudança no Médio Oriente na qual as preocupações comuns em relação ao Irão superaram em parte o apoio árabe tradicional aos palestinianos, segundo indicou em meados de agosto a agência noticiosa norte-americana Associated Press.
O acordo, que também requer que Israel suspenda os seus planos de anexar partes da Cisjordânia ocupada, foi rejeitado pelos palestinianos.
O passo dado por Abu Dhabi é uma mudança no consenso histórico no seio da Liga Árabe, que rejeita o estabelecimento de relações com Israel até que haja um acordo de paz com os palestinianos.