São Francisco, na Califórnia, é conhecida por ser a cidade da inovação. É o local onde basta entrarmos num café para encontrarmos personalidades do ecossistema, muitas vezes profissionais que vemos como exemplos - de empreendedorismo, de criatividade, estrategas ou gestores. Sejam fundadores de startups, nomes sonantes do mundo da inovação e da tecnologia ou os CEO de grandes empresas.
Em especial, a região de Silicon Valley destaca-se pela forma como, num espaço relativamente pequeno, todos sentimos o pulsar da tecnologia. Afinal aquele é o seu epicentro. É o solo mais frutífero para desenvolvimento de negócios e o espaço para arriscar. Em especial, porque conseguimos ter uma rede de apoio para a aprendizagem e para a tentativa, porque existe um forte investimento em ideias e estas surgem a toda a hora. Ali, existe um ponto de semelhança entre todos: a forma como vemos a inovação.
Mas, a verdade é que aquilo que fazia daquele local característico, no meu entendimento, tem estado a expandir-se para terrenos férteis no que à inovação respeita, e, hoje, já não é apenas em São Francisco que se respira empreendedorismo nos sítios mais comuns. Acontece o mesmo em plena Lisboa.
As mudanças a que assistimos nos últimos dois anos no mundo do trabalho, impulsionaram fortemente os resultados do investimento que se tem feito na promoção da cidade como um hub de inovação. A adoção de modelos híbridos ou totalmente remotos trouxe oportunidades às empresas, aos colaboradores, mas também à capital.
Para além das qualidades enquanto espaço de trabalho, Lisboa é o destino ideal para o fomento das atividades presenciais, que incentivam a cultura empresarial - e que agora ainda mais se desenvolvem, como forma de "compensar" o afastamento físico dos colaboradores. Temos o clima e a gastronomia que tão bem enaltecemos, a capacidade de encontrar campo, praia e ambiente urbano num espaço de pouco mais de 92.000 km2, mas, cada vez mais, temos também um ambiente criativo, empreendedor e colaborativo. Esta envolvente faz da cidade o palco perfeito para receber inovadores.
Depois da semelhança entre as pontes de Lisboa e São Francisco, agora a construção que se espera parecida é ainda maior, e não necessariamente arquitetónica. A cidade portuguesa não precisa de se equiparar ao território estadunidense, não é disso que se trata. Mas quem sabe se Lisboa não será mesmo o novo Silicon Valley da Europa.
O sentimento de pulsar de tecnologia começa a ser uma realidade, e experiências tão comuns como encontrar empreendedores em cafés do centro, também. Agora, resta-nos comprovar que é verdade aquilo que de nós portugueses se diz, e que somos realmente bons a receber (e a manter relações). Até porque os resultados que daí se prevê advirem são vantajosos para todos.
João Batalha, cofundador e CEO da Amplemarket