Já ouviu falar em marketing jurídico?

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A resposta é, provavelmente, "sim". Isto, porque tem origem

no já badalado marketing. O que a maioria das pessoas, porventura, não sabe é

que os escritórios e as sociedades de advogados começam a estar mais atentos à

sua própria imagem e à forma de comunicar. Chamam-lhe marketing jurídico. Este

foi o tema do segundo fórum organizado pela LMN Portugal (Legal Management

Network), com apoio da Associação das Sociedades de Advogados de Portugal, que

decorreu esta manhã na Universidade Católica, em Lisboa. O primeiro fórum

abordou a importância da comunicação interna numa organização.

Um dos contributos pertenceu a Rita Torres Baptista, diretora

coordenadora de Marketing de Comunicação do BES. A oradora sublinhou que, antes

de tudo, é necessário entender o que é o marketing. "É virado para as pessoas e

pretende criar valor económico". Para tal, é necessário entender e cumprir as

três primeiras etapas de um plano de marketing: definir a segmentação, target e

posicionamento. Para simplificar, disse que se limita a fazer duas perguntas:

"onde jogamos?" e "como ganhamos este jogo?". Ou seja, é necessário conhecer

bem o seu produto, seja ele um refrigerante ou um serviço, definir o seu público-alvo,

saber em que mares navega e com que concorrência conta. No fundo, tudo se trata

de diferenciação. "Gerir marcas é gerir diferenças", disse.

A marca é "promessa e experiência", disse, lembrando os

perigos da criação de uma "realidade embelezada", seja nos anúncios, seja nas

promessas que a marca faz ao seu cliente. Tudo funciona como um contrato. Se a

marca quebra uma promessa, se não honra um contrato, o valor da marca e a sua

reputação sairão manchados. A também docente na Católica-Lisbon defende que a

autenticidade e a transparência fomentam valor e catapultam uma marca. "A

reputação não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona".

E todas estas lições servem, naturalmente, para o mundo

jurídico. Cada escritório ou sociedade de advogados é uma marca, que procura

construir um serviço que corresponda aos seus valores e cultura, construindo,

assim, a sua reputação.

Um escritório de advogados não oferece um produto final,

como um refrigerante ou um carro. No serviço jurídico o cliente vai consumindo,

tem uma participação ativa. A ideia é de Rosana Rumschisky, diretora de

Marketing e Desenvolvimento de Negócio da Gómez-Acebo & Pombo Abogados.

"Quando um cliente contacta um escritório de advogados está

a fazer um ato de fé". Ou seja, as promessas e o trabalho final não são

"tangíveis". Aqui, a reputação surge como "fator de compra". E esta resulta de trabalho e serviço

excelentes. Depois sim, entra o marketing: "é contar o que foi bem feito."

Ao contrário de muitas outras áreas, explicou, na advocacia

pode ganhar-se um caso em tribunal e ficar pouco satisfeito, como perder-se um

processo e considerar que a defesa esteve bem. Conclusão? Todos os pormenores

contam para agarrar um cliente, seja a forma de comunicar, seja a forma de

atuar.

E o que quer um escritório de advogados comunicar? "ADN,

posicionamento, mensagens e atributos", disse a oradora que viajou de Espanha.

Enquanto os atributos abrangem a valorização do cliente e vantagens - e,

eventualmente, a pouca concorrência-, o posicionamento prevê ter conhecimento

de como as pessoas e a concorrência veem a organização.

Para comunicar bem e prestar um bom serviço é fundamental

"conhecer o sector dos clientes". Um cliente satisfeito resulta da relação

entre expectativas e perceções. Tal como vimos acima, é um contrato. Prometer

"realidades embelezadas", que ficam por cumprir, poderá traduzir-se na perda de

um cliente.

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