"A Prebuild é um negócio de 100 milhões para a Terranum mas o controlo totalitário da Terranum é o controlo de uma companhia avaliada em 3 mil milhões de dólares entre hotéis, imobiliária e desenvolvimento imobiliário", diz João Gama Leão. "Quem nos irá defender de um grupo que detém bancos, a principal cadeia de televisão, vários jornais, rádios, etc e é controlado por um jovem de 38 anos refugiado em Nova Iorque", questiona o empresário bracarense.
Em declarações ao Dinheiro Vivo, João Gama Leão explicou que o envolvimento de um dos pequenos acionistas da Terranum no negócio do narcotráfico levou ao desequilíbrio acionista do fundo de investimento imobiliário e que a Prebuild acabou no meio de uma guerra que não é a sua. "O fundador, José Ignacio Robledo, tentou comprar os 15% desse sócio com problemas criminais, mas não conseguiu. Essa posição foi comprada pelo grupo Santo Domingo que passou a deter 65%, ficou com o controlo absoluto e expulsou da gestão o fundador", diz Gama Leão. "Numa conjuntura destas, a Prebuild é um dano menor. Um parque a duas horas de Bogotá não tem interesse logístico para o grupo Santo Domingo", sublinha, em referência ao complexo industrial de Gachancipá.
Mas quem é a Terranum e o que liga esta empresa do grupo Santo Domingo à Prebuild? No seu site pode ler-se que a o grupo Terranum, que conta com o apoio e a capacidade financeira do grupo Santo Domingo, é a primeira plataforma abrangente de investimento, desenvolvimento e serviços imobiliários corporativos e institucionais na Colômbia e que oferece às empresas uma alternativa estratégica para a gestão profissional de seus ativos imobiliários, bem como alternativas de investimento no setor imobiliário.
A Prebuild Colômbia foi contratada pela Terranum para construir o complexo empresarial CONECTA, bem como para terminar o hotel W, em Bogotá, da cadeia Starwood, implementando medidas de sustentabilidade. Os dois grupos estão, ainda, ligados por três contratos de arrendamento, referentes aos escritórios do grupo português em Bogotá, mas também ao dito parque industrial de Gachancipá
Isso significa que a Prebuild Colômbia não tem dívidas a fornecedores? Não! Gama Leão não as nega, mas diz que "são todas consequência da quebra de relações com o nosso principal parceiro". O empresário bracarense, que se encontra no Brasil a negociar um projeto de investimento industrial, admite que a situação está difícil mas lamenta que a Terranum "esteja a por em causa um projeto que cria 1.500 postos de trabalho em Gachancipá", uma zona rural, a 50 quilómetros da capital, e sem grande oferta de emprego.
E os incumprimentos que os colombianos invocam? "Vão tem de os provar e vão ter nos compensar. A nossa parte está feita, está cumprida, os equipamentos já chegaram, mantemos a intenção de avançar com o parque industrial (seis fábricas)", frisa.
João Gama Leão recusa-se a acreditar que o projeto possa estar em risco e garante que lutará por ele até ao fim: "Não o vejo em risco, a não ser que não exista lei na Colômbia. Tenho que acreditar. Veja só o esforço financeiro que implicou trazer os equipamentos industriais... Vamos lutar por este barco até ao fim".