João Lourenço acusa regime de Eduardo dos Santos de ter desviado 20,3 mil milhões de euros do Estado

O desvio de fundos terá ocorrido através da Sonangol, de duas empresas públicas de exploração de diamantes e outras empresas estatais.
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O Presidente angolano, João Lourenço, estima em mais de 20 mil milhões de euros o alegado desvio de fundos, levado a cabo pelo anterior regime liderado por José Eduardo dos Santos.

Numa entrevista por escrito ao jornal norte-americano, Wall Street Journal, João Lourenço refere que a família do anterior Presidente da República e os seus colaboradores terão "desviado ilegalmente" cerca de 24 mil milhões de dólares (cerca de 20,3 mil milhões de euros à cotação atual) dos cofres angolanos, ao longo de 37 anos no poder.

De acordo com o chefe de Estado angolano, a maior fatia deste montante saiu da Sonangol - a petrolífera estatal. Cerca de 11,4 mil milhões de euros terão sido retirados da Sonangol através de "contratos fraudulentos". Perto de 4,3 mil milhões terão sido desviados das duas empresas de diamantes (Sodiam e Endiama); e os restantes 4,4 mil milhões de outros setores e empresas públicas.

Recuperados 20%

No entanto, João Lourenço garantiu que já foi possível recuperar algum dinheiro, cerca de 20% do montante global em causa. "O Estado já recuperou em definitivo cerca de 4,2 mil milhões de euros em bens e dinheiro", refere o líder angolano. "Em concreto, 1,9 mil milhões de euros em imobiliário, fábricas, terminais portuários, televisão e rádios em Angola, Portugal e Brasil", detalha.

Lourenço refere ainda que foram pedidos às contrapartes de outros países o "arresto ou congelamento de bens e contas no valor de 4,6 mil milhões de euros, nomeadamente na Suíça, Holanda, Portugal, Luxemburgo, Chipre, Mónaco e Reino Unido, numa lista com tendência para aumentar".

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