O secretário de Estado da Economia acredita que "agir em IRC para resolver um problema de curtíssimo prazo é um erro". João Neves explicou ao jornal Eco que a melhoria do investimento das empresas não é garantida por um choque fiscal, uma vez que são os mercados a ditar as decisões. "Se vai crescer, se há tendências positivas nos produtos e serviços, se as coisas que as empresas estão a fazer do ponto de vista de inovação batem certo com essas tendências", diz. "Se não houver mercado, ou se a perspetiva de mercado for de alguma retração num futuro próximo, baixar IRC tem um efeito marginal sobre o investimento empresarial. É neste contexto que deve haver um debate público e dentro do Governo, daquilo que são as condicionantes da política fiscal", defende.
E, adianta que a política fiscal "não tem potencia para responder a efeitos de conjuntura" e que a mesma no que aos impostos sobre os resultados das empresas diz respeito deve ser "feita numa perspetiva de médio a longo prazo, porque as empresas investem agora e vêm os resultados em IRC daqui a um ano ou dois, em função da lógica de organização do sistema tributário".
O secretário de Estado da Economia defende um debate sobre a política fiscal na sua "natureza mais estrutural". "Esse é o debate que tem de ser feito, não é para responder a conjuntura, nem é para dizer que com uma baixa muito significativa de impostos, vulgo choque fiscal, vamos ter um melhor desempenho do ponto de vista empresarial", afirma.