João Proença: Uma voz dos trabalhadores que tenta gerir equilíbrios

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Apesar do tom pausado com que fala, o engenheiro de Belmonte,

assumidamente socialista, não parece temer conflitos. E nem lhe

incomoda que a UGT, central sindical que lidera desde 1995, seja

acusada de dar a mão a governos laranjas e rosas quando é

necessário assinar acordos importantes na Concertação.

Engenheiro dos equilíbrios políticos, dentro e fora da central

sindical. Esse poderia ser o seu epíteto. Se não houvesse UGT,

muitos entendimentos seriam bipartidos e não tripartidos. Acusado

agora pelo seu antecessor, Torres de Couto, de matar a UGT com a

participação na revolução laboral em curso, partilha ironicamente

com ele um passado judicial. Em Dezembro de 2007, foram ambos

absolvidos no processo, que se tinha arrastado ao longo de 15 anos,

sobre alegadas burlas da UGT com verbas do Fundo Social Europeu.

Casado e pai de quatro filhos, João Proença completa a idade da

reforma em Julho (65 anos). Mas os cabelos brancos são poucos e quem

trabalha com ele garante que a sua energia parece inesgotável.

"Passa muitas horas a trabalhar, dentro e fora da UGT",

garante um dos colaboradores. "É uma pessoa muito íntegra e

perseverante. Não se nota a sua ligação umbilical ao PS",

garante. Há um ano, chegou a anunciar uma candidatura ao PS de

Cascais, concelho onde mora, mas acabou por recuar. Entre 1987 e

1995, foi deputado do PS e é atualmente membro da Comissão Nacional

bem como da Comissão Politica do PS. Apoiou as candidaturas de

Manuel Alegre para a presidência da República e de António José

Seguro para a liderança dos socialistas.

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