O Olympique Lyonnais, vulgo Lyon, cedeu 66,56% das suas ações, num primeiro passo, e 88,55%, num segundo, em troca de 86 milhões de euros. O comprador é a Eagle Football Holdings - ou seja, John Textor.
Textor, um americano do Missouri de 56 anos que teve carreira de relevo no skate na juventude, foi manchete nos jornais desportivos há cerca de um ano por pretender comprar o Benfica. Não foi bem-sucedido em Portugal mas adquiriu, entretanto, o Botafogo, um dos mais históricos clubes do Rio de Janeiro e do Brasil, treinado por Luís Castro, e o RWD Molenbeek, de Bruxelas. Em paralelo, tornou-se acionista minoritário do Crystal Palace, de Londres.
O último tiro do empresário apelidado de "guru da realidade virtual de Hollywood", por ter fundado e presidido a Fubo TV, empresa que revolucionou a tecnologia e a distribuição digital de conteúdos, é fazer do clube da segunda maior cidade francesa um rival à altura do multimilionário Paris Saint-Germain (PSG), propriedade do emir do Qatar.
"Não gosto de projetos como o PSG. Acho que o futebol foi quebrado pelo dinheiro. É uma realidade. Em cada lugar do mundo, temos no máximo dois ou três clubes fortes. E o resto? Qual a graça disso?", perguntou o novo dono do Lyon.
Textor distingue-se de outros magnatas do futebol por ser mais romântico - convive com os adeptos mais populares do Botafogo em dia de jogo e elogia o estádio do Palace, por, mesmo pequenino, "ter uma atmosfera bem futebolística" - e, ao mesmo tempo, ter foco empresarial - ao contrário dos donos do PSG, do Manchester City ou do Newcastle United, todos oriundos do Médio Oriente, que tratam os seus clubes como um brinquedo caro.
No Lyon, por exemplo, rejeitou assumir a presidência, deixando-a na mão do ex-dono, Jean-Michel Aulas, que conduziu o clube a sete títulos franceses seguidos, de 2001 a 2008.
"O projeto que descobri em Lyon com Jean-Michel Aulas e todas as suas equipas estará no epicentro da nossa nova organização e dos nossos investimentos ao serviço do futebol mundial, pretendo, com o apoio de Jean-Michel, trazer à tona os valores de desenvolvimento e autoaperfeiçoamento pelos quais sempre me comprometi", disse o revolucionário Textor.