A Associação Portuguesa de Direito do
Consumo (APDC) solicitou à Procuradoria-Geral da República a
interposição de uma ação judicial que obrigue a EDP a retirar a
campanha publicitária em que utiliza crianças, criada pela BAR.
Na sequência disto o publicitário Pedro Bidarra escreveu: "É claro que o sururu é por ser a EDP
e não por causa da ilegalidade, discutível (e que vale a pena
discutir) da utilização de crianças em anúncios de acordo com a
ridícula norma consagrada no número 2 do artigo 14 do Código da
Publicidade." Artigo aqui.
Judite Mota, diretora criativa da Young & Rubicam (Y&R) defende que "Pedro Bidarra põe o dedo na
ferida. O problema não é novo, em 2004 escrevi o artigo anexo
exatamente partilhando a mesma opinião. O filme de carros a que
ambos nos referimos era um filme feito pela BBDO que foi retirado do
ar com o mesmo argumento". Em resumo, define, "uma palermice e um
aproveitamento distorcido de uma lei que devia proteger as crianças
mas que faz o contrário."
Judite Mora reafirma a sua posição através do artigo "A lei do bidé e a lei da publicidade.
AVISO: Não há nenhuma intenção
escatológica neste artigo (mas podem ler à mesma...).
Existe uma lei em Portugal que OBRIGA a
que cada casa tenha um bidé. Não interessa quantos duches os
proprietários tomem por dia e que nunca tenham intenção de fazer
abluções em tal peça de mobiliário, a lei diz que têm que ter
bidé e têm que ter, ou não lhes será passada uma licença de
habitação.
A lei da publicidade diz que não se
podem usar crianças em anúncios que não promovam produtos para
elas. Uma medida para proteger as crianças. Muito bem. Mas uma
medida com efeitos perversos, porque a obrigação de a cumprir é
tão levada a extremos como a lei do bidé. Porque uma coisa é usar
as crianças e outra é usar crianças A publicidade é uma recriação
da realidade e na realidade as famílias têm filhos, que tomam o
pequeno almoço, andam de carro com os pais, vão ao jardim, estão
presentes. Na publicidade portuguesa as famílias deixaram de ter
crianças presentes, porque elas não podem sequer aparecer. Na
comunicação de um carro de família cujo principal benefício seja
poder transportar um monte de filhos, os filhos não aparecem porque
está-se mesmo a ver que não são eles que conduzem os carros
(embora também os utilizem). A esta hora estão vocês a dizer que
ainda ontem viram um filme de carros com uma criança. Pois viram:
era uma adaptação e nesse caso parece que não há problema. Ou que
ainda ninguém se queixou ao ICAP. Do que ninguém se queixa é dos
blocos publicitários de produtos destinados a crianças que
ironicamente, as usam e das quais abusam. Mas como os brinquedos são
para elas está tudo bem."