Lady Buda

Ahhhhh Bangkok. Como é que eu vos explico esta cidade insana, dourada,travesti e tântrica sem pôr um acento agudo no cliché? Vou começar e já se vê.
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Bangkok é Buda. E rapidamente se aprende que, afinal, um Buda não são budas. A missão do turista suado não é outra senão tentar, num espaço de tempo mais curto que curtido, colecionar o maior número de budas nas mais variadas posições. Mas não pensem que completar o “Budasutra” é coisa fácil. Em Bangkok há mais templos budistas que em Lisboa há Padarias Portuguesas mas igualmente lotados e alaranjados.

Eu cá vi o Buda sentado, levantado, deitado de lado, tatuado. Vi o Buda esverdeado, o de pedra e o dourado. Vi o Buda em filinha e vi o Buda isolado. E, depois de tudo isto, só posso dizer-vos que o desgraçado já deve estar mais cansado que iluminado.

Mas sim os templos são belos e divinos, dá para pedir desejos enquanto se tocam sinos, os cães e os gatos são bem-vindos e pode-se adormecer ou ler livros. E anda-se descalço, e andar descalço é das coisas mais bonitas que já nos esquecemos de fazer. E por tudo isso, tudo o resto vale a pena.

Tuk quer dizer rápido e tuk quer dizer milhares, ao mesmo tempo, em todo o lado. Faz parte da iniciação do explorador ser enganado pela tukgente e ir parar a lojas e agências de turismo sanguessugas, em troca de vales de gasolina. Imediatamente, o visitante aprende a andar de táxis que, além de serem cor de rosa como a vida, até têm ar condicionado.

Bangkok é Baht. É o nome que eles deram ao dinheiro. Um euro compra 38 bahts. Usando aquela referência universal, digo-vos, com tristeza, que um litro de cerveja vai dos 80 aos 150 dependendo da vista de quem está sentado. Se o litro for de água começa nos 10 bahts mas o resultado não tem 1/10 da diversão. Sim, a Tailândia já foi mais barata. Dormir em Bangkok por esta altura varia entre os 300 bahts e, valha-me Deus. Mas quem é que quer dormir em Bangkok?

Era uma frase catita para fechar a crónica, não era? Mas continuemos que, depois da religião e do dinheiro, falta o vértice mais pontiagudo do triângulo...

Bangkok é sexo. Melhor, é sexos. Além do Adão e da Eva, neste Éden nasceu o Adelia: uma sandes mista com o melhor dos dois mundos. Aqui os Lady Boys são tão naturais como a nossa sede e há-os para todas as carteiras. Jogar ao Quem-é-Quem? é um passatempo popular por estas partes. A regra diz que, se é demasiado perfeita para ser mulher é porque é homem. Em caso de dúvida é só olhar para o meio das pernas… os joelhos não são fáceis de disfarçar.

Mas não são só os homens a dar cartas neste jogo: Bangkok é a Disneyland do sexo e as princesas sempre tiveram o papel principal. Além de todas as bizarrias possíveis e inimagináveis, a mais popular são os Pingpong shows. Se o inocente visitante acha que vai ver uma recriação da grande final da modalidade, entre a URSS e os EUA nos tempos da Guerra Fria, prepare-se para ficar de olhos em bico.

Num palco mal iluminado, sorridentes e ginasticadas tailandesas tiram “coelhos” da “cartola” suficientes para fazer corar o ginecologista mais experimentado. Jogar Ping Pong, abrir garrafas e rebentar balões com dardos são algumas das proezas deste circo decadente. A mais surpreendente? A arte da caligrafia. Olhem que saber escrever com o “corpo” todo é obra! Se ela se amanhasse com o telemóvel, passava-me a crónica a limpo. Com sorte não sabe escrever cliché… Bom, já se vê...

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