Lava Jato: Gestor ligado à Petrobras detido em Portugal

Raul Schmidt Felippe Junior estava foragido da justiça brasileira desde julho de 2015
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Raul Schmidt Felippe Junior, sócio de um antigo diretor da petrolífera brasileira Petrobras, foi detido, esta segunda-feira, em Portugal, no âmbito da Operação Lava Jato.

A detenção de Raul Schmidt, levada a cabo pela Polícia Judiciária, decorreu esta manhã, em Lisboa, no âmbito de uma carta rogatória relacionada com o processo de corrupção e lavagem de dinheiro que envolve alguns dos mais importantes políticos e empresários brasileiros.

Raul Schmidt está a ser investigado pelo pagamento de subornos a Renato de Souza Duque, Nestor Cerveró e Jorge Zelada, antigos diretores da Petrobras que estão agora presos em Curitiba, no Brasil.

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Raul Schmidt Felippe Junior. Fotografia: D.R.[/caption]

Segundo a imprensa brasileira, Schmidt terá sido o operador financeiro dos subornos pagos aos diretores da Petrobras. O seu nome também aparece em contratos celebrados entre empresas internacionais e a Petrobras, para a exploração de plataformas.

Schmidt, que era sócio de Zelada, vivia em Londres, onde geria uma galeria de arte. Fez uso da dupla nacionalidade (brasileira e portuguesa) e mudou-se para Portugal após o início da Operação Lava Jato, em março de 2014. Estava desaparecido desde julho de 2015, quando as autoridades brasileiras ordenaram a sua prisão. Segundo o Observador, foi encontrado num apartamento de luxo no centro de Lisboa, avaliado em três milhões de euros.

Antigo funcionário da Petrobras, Raul Schmidt trabalhou sobretudo na área internacional da petrolífera estatal brasileira. Entre 1994 e 1997, foi gerente da Braspetro em Angola, antes de começar a trabalhar por conta própria. Continuou, ainda assim, a estar ligado à Petrobras, trabalhando como intermediário dos negócios de fornecedores da petrolífera.

Extradição para o Brasil

Depois da detenção desta manhã, as autoridades brasileiras já manifestaram "a intenção de desencadear um processo de extradição", detalhou, entretanto, a Procuradoria-Geral da República, em comunicado enviado às redações.

A PGR já recebeu, das autoridades brasileiras, três cartas rogatórias relacionadas com a Operação Lava Jato. "Uma já foi devolvida. As restantes encontram-se em execução", conclui o comunicado.

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