Learnability: o passaporte para a segurança no emprego num mundo em transformação

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"Stay hungry. Stay foolish". Quinze anos depois, a frase proferida por Steve Jobs, na Universidade de Stanford, perante uma plateia de finalistas prestes a entrar no mercado de trabalho, ganha cada vez mais atualidade. O "novo normal" acentuou a necessidade de permanecermos sedentos de conhecimento, ao longo da vida, e reforçou a importância da formação e capacitação do talento, como forma de fazer face ao crescente desencontro entre competências e modelos de negócios, cada vez mais digitais.

Recentemente, o segundo estudo da série "What Workers Want", "O Futuro dos Trabalhadores, pelos trabalhadores", confirma que a pandemia está a provocar a maior transformação do mundo do trabalho, desde a Segunda Guerra Mundial, e a redefinir as competências mais procuradas. Aumenta, assim, a busca por novas competências técnicas e comportamentais e, em consequência disso, aumentam também as desigualdades na força de trabalho, já que aqueles que possuem as competências mais procuradas estão melhor posicionados para negociar salários, trabalhar remotamente e evitar deslocações diárias, garantindo a sua segurança.

Antes da Covid-19, a aposta na formação era já encarada como uma prioridade por muitas empresas, que reconheciam ser este o caminho para atrair, desenvolver e reter o talento que necessitavam. Hoje, além de ser uma arma fundamental para resolver o desencontro de competências resultante da crescente digitalização, é também uma das soluções para gerar novas oportunidades para os profissionais que vão ou estão a ser impactados pela crise de emprego decorrente da pandemia.

É crítico que empresas, sistema educativo e Governo se unam para capacitar os trabalhadores para um contexto cada vez mais digital, apostando na sua qualificação e requalificação e criando condições para desenvolver uma cultura de learnability, uma competência basilar para as organizações da próxima geração e para o sucesso laboral a nível individual. O programa UpSkill, ao qual nos associámos com a Experis, é um claro exemplo de iniciativas que já traçam este caminho.

Por outro lado, e de acordo com as perguntas extra colocadas no âmbito da última edição do estudo ManpowerGroup Employment Outlook Survey, quase dois terços das organizações pretende oferecer programas de formação gratuita aos seus colaboradores como um argumento de valor na sua proposta de empregador, nesta era pós-Covid. Já os trabalhadores, querem mais tempo para aprender durante o horário de trabalho, mais apoio e mais retorno desse investimento.

Em 2018, o então presidente da Nokia, Risto Siilasmaa, deu o exemplo ao voltar à escola para fazer seis cursos sobre Inteligência Artificial. Uma decisão que justificou com a falta de conhecimento sobre o tema que lhe permitisse compreender as possibilidades e limitações do sistema. No final, partilhou uma apresentação com tudo o que aprendeu sobre machine learning, que já foi vista por mais de 96.000 pessoas no YouTube.

O futuro do trabalho começa agora, e é inquestionável que a capacidade de aprender será o passaporte para a segurança do emprego. Como muitos estudos académicos apontam, a empregabilidade já não depende do que as pessoas sabem, mas sim do que poderão vir a aprender.

Rui Teixeira, Chief Operations Officer da ManpowerGroup Portugal

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