A Lemon Jelly, a mais conhecida marca portuguesa de calçado injetado, está a comemorar 10 anos. Foi em março de 2013 que a Procalçado, a empresa de solas e componentes de Grijó, avançou com uma marca própria no segmento da moda, muito colorida, que remetia para doces e gomas, e complementada com um aroma a limão.
O marco histórico é esta segunda-feira assinalado com um cocktail para convidados no novo showroom temporário da Lemon Jelly no centro de Milão. Dez anos depois, a Lemon Jelly já chega a uma trintena de mercados, com especial destaque para a Alemanha, França e Estados Unidos. Sem esquecer Portugal, claro. "É como criar um filho, tem sido um trabalho difícil, ainda para mais, sendo uma marca portuguesa, mas é um projeto bonito e inspirador. São 10 anos de uma experiência fantásticas e de algum reconhecimento, também, mas sinto que há muito caminho pela frente", admite, em declarações do Dinheiro Vivo, José Pinto, mentor do projeto.
E muita coisa tem vindo a ser afinada nestes 10 anos. A marca poderia até estar em mais mercados já, mas foi uma opção estratégica manter o foco, de modo a consolidar a sua posição naqueles em que já está.
Do ponto de vista das coleções, também se assistiu a um foco maior, com uma oferta "mais compacta e mais assertiva". A Lemon Jelly nasceu com produtos para senhora, homem e criança, e optou, pelo caminho, por se concentrar no segmento feminino e, só quando conseguir alcançar a posição forte que pretende aí, irá alargar-se a outros públicos. "Somos uma marca pequenina, a nível mundial e, por isso, temos de concentrar energias em produtos e mercados estratégicos. Temos a próxima década para começar a abrir outros [mercados], mas, para já, a estratégia é de concentração, fazendo aquilo que nos propusemos desde o início que era trazer inovação ao mercado e uma marca diferenciadora no calçado injetado", frisa o empresário.
A sustentabilidade é outra das grandes apostas, em especial nos últimos quatro anos. E mesmo em termos ambientais a própria filosofia da Lemon Jelly, que ostenta o selo vegan da PETA (People For The Ethical Treatment of Animals), já evoluiu. "Em vez de termos uma linha de reciclados, incorporamos o máximo de desperdícios que conseguimos em cada par que fazemos. Por exemplo, umas botas pretas levam 50% de matérias-primas recicladas, e todo o interior das botas é feito com têxteis reciclados", explica José Pinto, sublinhando que a sustentabilidade "é cada vez mais parte integrante do conceito de construção da coleção". Uma opção vital atendendo a que a matéria-prima de origem é a borracha.
Mas há ainda a não esquecer que a Lemon Jelly é fabricada pela Procalçado, empresa que começou a investir em painéis solares e energia verde em 2010. E que quer atingir a neutralidade carbónica já em 2025. Com cerca de 400 trabalhadores, o grupo fechou 2022 com vendas totais da ordem dos 38 milhões de euros.
A jornalista viajou para Milão a convite da APICCAPS