Lidl ajuda fornecedores portugueses a exportar 245 milhões de euros

A filial portuguesa da rede de distribuição alemã já comercializa produtos nacionais para 29 dos 32 mercados onde está presente. As três categorias mais relevantes em termos de vendas para o exterior são as frutas e legumes, vinhos e licores, e legumes e leguminosas enlatados.
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Pera Rocha, maçã de Alcobaça, vinho do Porto... Estes são alguns dos produtos que o Lidl Portugal vende à sua rede internacional. No total, são 29 mercados com os quais os fornecedores fazem negócios, com a Alemanha, Espanha e França a assegurarem 57% das exportações. A quarta posição é ocupada pelo Reino Unido, que representa 13% das vendas.

Os números fazem parte da terceira edição do "Estudo de impacto das exportações do Lidl na economia nacional", realizado pela consultora KPMG. O documento revela que o impacto das exportações do Lidl Portugal se fixou nos 245 milhões de euros, um número que representa um crescimento sustentado - 12% face aos valores de 2021 - da exportação de produtos nacionais.

Bruno Pereira, administrador de compras do Lidl, revelou que no último ano fiscal (que, no caso da cadeia alemã, vai de março de 2022 a fevereiro de 2023), a rede de distribuição ajudou o negócio de mais de 100 fornecedores nacionais. Segundo o gestor, as operações permitiram exportar mais de 200 produtos.
As três categorias mais relevantes em termos de exportação são as frutas e legumes, com 26,2 mil toneladas (+4,4 mil toneladas ou +20% face ao período homólogo); os vinhos e licores, com 6,9 milhões de litros (+1,8 milhões de litros ou +34% face ao período homólogo) e os legumes e leguminosas enlatados, com 22,6 mil toneladas (+14,2 mil toneladas ou +169% face ao período homólogo). A juntar a estas, acrescenta o executivo do Lidl, há a referir a existência de categorias que mais do que duplicaram as quantidades exportadas face aos números de 2021. Foi o caso dos artigos de charcutaria (+435%), queijos (+253%) e peixe e conservas de peixe (+230%). A maior surpresa - em termos de incremento - veio dos enlatados, sublinha a empresa.

Mas o impacto das exportações do Lidl não representa apenas aumento de vendas. Há também a componente social, nomeadamente em termos de incremento de postos de trabalho. E os números não mentem. No ano passado, as operações da rede de distribuição garantiram quase 5000 empregos, entre trabalho direto e indireto. Um valor que representa um aumento de 8% face aos dados de 2021 - e que significa que, na passagem de um ano para o outro, foram criados mais 364 postos de trabalho, de forma direta, indireta e induzida. E aqui há quatro setores que se distinguem na criação de emprego: agricultura, produção animal e caça foram responsáveis pela criação de 48% dos postos de trabalho, seguidos pela indústria dos produtos alimentares (24%), pela pesca e aquacultura (14%) e pelo setor das bebidas (11%).

Ao analisar os números, Pedro Silva, diretor na KPMG, empresa responsável pela realização do estudo, realçou que os mesmos mostram que a rede de distribuição alemã assume um papel facilitador nas exportações portuguesas. E referiu que as operações levadas a cabo pelo Lidl Portugal representam 1,9% das exportações nacionais de produtos alimentares para a União Europeia. Traduzindo isto por (mais) números, significa que as exportações do Lidl Portugal geraram, de forma direta, indireta e induzida, um impacto de 245 milhões de euros (+12% face a 2021) nos setores de atividade associados à produção destes produtos em Portugal, sendo que 54% desse valor corresponde à contribuição direta da atividade dos fornecedores; 17% diz respeito ao impacto indireto e 29% é relativo ao impacto induzido do Lidl.

Na apresentação do estudo, na passada quarta-feira, estiveram também presentes representantes da Montiqueijo e da Global Wines. Ambas as empresas trabalham com o Lidl há 19 e 18 anos, respetivamente. E se, no caso da distribuidora de vinhos, as exportações do Lidl já representam 22% das vendas totais da empresa para o exterior, já no caso da Montequeijo o número, apesar de ser mais tímido (10%) não deixa, por isso, de ser menos importante. Mesmo porque, nas palavras da sua administradora, Dina Duarte, o negócio com o Lidl foi de extrema ajuda durante a pandemia. Não só assegurou a venda de produtos - a Montiqueijo é, nas palavras da gestora, a única empresa com a fileira completa - como foi uma ajuda preciosa aquando do cumprimento de requerimentos, legislação e outros processos necessários à exportação.

Quer isto dizer que o Lidl ajuda as empresas portuguesas sempre que estas necessitam de algum tipo de ajuda com os processos de internacionalização. "Trabalhamos no projeto das exportações há três anos, embora o mesmo tenha amadurecido há cinco", referiu Dina Duarte. Com isto, a executiva considera que, agora, a empresa está preparada, quer a nível qualitativo quer quantitativo, para cumprir as exigências dos mercados internacionais.

Hoje o Lidl exporta produtos portugueses para 29 dos 32 mercados onde está presente - apenas Estados Unidos da América, Sérvia e um país báltico estão excluídos.

Embora sem referir números em concreto, Bruno Pereira afirmou que o Lidl Portugal quer continuar a aumentar o seu impacto nas exportações nacionais. Para tal vai manter o não só o apoio aos seus parceiros, nomeadamente os fornecedores de comércio local, como aumentar o peso e impacto que as suas operações têm nas exportações nacionais.

Para os próximos anos, o administrador da cadeia alemã revelou que o objetivo é reforçar o impacto das vendas para o exterior do Lidl na produção nacional, sendo que isso passa por aumentar não só os mercados de exportação, mas, e também, o portefólio de produtos a vender ao exterior. Sendo que esta é uma estratégia que só é possível com parcerias de médio e longo prazo, sublinha o responsável do Lidl.

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