A nossa maior novidade nos últimos meses foi a mudança da empresa de São Francisco para Lisboa. Ainda nos questionam frequentemente porque é que decidimos inaugurar a nossa sede europeia em Portugal depois de termos iniciado o nosso percurso em Silicon Valley. Foi no auge da pandemia, quando as viagens tinham parado completamente, que decidimos que estava na altura de expandir a partir dos EUA e abrir o nosso escritório oficial europeu em Lisboa. Aterrámos na Startup Lisboa, um dos primeiros centros de aceleração da cidade. Porque é que trocámos os EUA por Portugal?
Crescimento acelerado a nível nacional e internacional
São vários os incentivos que convidam a trazer uma startup tecnológica ambiciosa e motivada para a capital portuguesa.
O mercado das startups tem vindo a crescer em Lisboa e, desde a minha primeira viagem em 2020, pude testemunhá-lo em primeira mão. Em 2022, as startups portuguesas valiam três vezes mais do que apenas há cinco anos, apesar dos desafios que enfrentaram durante a pandemia. Parte do crescimento do mundo tech de Lisboa deve-se ao facto de o país ter uma das taxas mais elevadas de engenheiros e programadores per capita da Europa, juntamente com a vantagem competitiva de salários relativamente mais baixos em comparação com outros mercados vizinhos. Este é um enorme benefício para o crescimento quando se trata de empresas em fase inicial.
Para além disso, o afluxo de profissionais internacionais, altamente qualificados nas áreas tecnológicas, para a capital portuguesa, rapidamente transformou Lisboa num dos tech hubs de maior crescimento na Europa. Dezenas de startups como a Bounce mudarem-se para cá, abriram escritórios locais ou lançaram-se a partir daqui. Para nós, apesar de operarmos a uma escala internacional, valorizamos muito a relação que conseguimos construir com parceiros e clientes em Lisboa, de quem recebemos feedback constante e incrivelmente valioso que nos ajuda a melhorar o nosso produto a uma escala global.
Apesar do desenvolvimento exponencial do universo das tecnológicas nos últimos anos, a comunidade de startups continua a ser muito coesa, pelo que é fácil uma aproximação à mesma com algumas reuniões apenas. E isto é algo que sempre quisemos experienciar, apesar da decisão de mudar de São Francisco para aqui já ter estado tomada, sabemos que estar rodeado de pessoas que pensam da mesma forma é algo excecional.
As vantagens de Lisboa vão muito além do universo das tecnológicas
Sabemos que existem outras cidades europeias com a fama de serem um bom local para desenvolver novas tecnologias, mas Lisboa tem muitas outras vantagens que fazem com que se destaque. Por exemplo, o Governo local disponibiliza diversos incentivos financeiros que apoiam este ecossistema para que continue a crescer na direção certa.
Tudo isto é particularmente apelativo para as startups nos tempos que correm: apesar de alguns capitalistas de risco apontarem para um aumento do investimento no final deste ano, a nível global temos vindo assistir a uma redução de financiamento de capital de risco na ordem dos 55%, segundo alguns relatórios.
Incentivos que geraram menos resultados
No entanto, e apesar da existência de bons incentivos para as startups em Portugal, os mesmos nem sempre correspondem às boas intenções com que foram gerados e há ainda muito a fazer para que sejam ainda mais apelativos. Para começar, muitos destes benefícios são difíceis de organizar e, por exemplo, obter o visto para startups tem-se revelado um grande desafio. O processo não deveria demorar mais de 40 dias, mas chega a demorar mais de dois anos e o nosso processo em particular ainda está pendente, o que nos obrigou a procurar uma solução alternativa.
Isto é bastante perigoso para as startups que têm de lutar diariamente pela sua sobrevivência e qualquer abrandamento pode ter consequências desastrosas. Demorou também bastante tempo a estabelecermos a nossa entidade aqui, outro desafio inesperado que estava longe daquilo que foi anunciado quando escolhemos Lisboa como o nosso novo destino. As startups e os investidores procuram estabilidade e previsibilidade, pelo que este é um aspeto que Portugal tem mesmo de resolver.
O apelo inabalável de Lisboa
Desafios à parte, Lisboa não só é uma cidade fantástica para os atuais talentos na área das tecnologias, como é também bastante apelativa para candidatos que se encontram nesta parte do mundo. O clima ameno, 2000 horas de sol por ano, acesso às praias e um ambiente criativo que caminha de mãos dadas com uma vibrante comunidade de startups, tudo isto é um grande bónus para candidatos que procuram aqui uma empresa onde possam crescer e brilhar. Existe também um regime fiscal sob o qual os estrangeiros podem desfrutar de uma taxa fiscal de 20%, significativamente mais baixa do que a maioria dos países da Europa e de outras partes do mundo. No final do ano teremos transferido já 10 colaboradores para a cidade, elevando assim o número de colaboradores nos nossos escritórios locais para um total de 30. Lisboa oferece grandes vantagens no que toca a recrutamento.
Outra vantagem, talvez menos referida, prende-se com o fuso horário em Lisboa. Ao contrário da maioria dos países da Europa Ocidental, Portugal tem o mesmo fuso horário de Londres e está 1 hora mais próxima dos fusos horários norte-americanos, oferecendo assim vantagens acrescidas de 1 hora extra no contacto com os nossos colegas e parceiros externos em Nova Iorque, São Francisco e outras cidades. Isto é extremamente importante para que possamos mantermo-nos em contacto com os nossos colegas.
A Bounce está muito entusiasmada com o facto de se ter instalado em Lisboa, e todos os dias percebemos que esta foi a decisão certa. A capital portuguesa é incrivelmente dinâmica e regista uma das maiores taxas de crescimento que testemunhámos até agora, prova do muito que a cidade e o país têm para oferecer. Nos últimos 6 meses, registámos um crescimento superior a 200% em Portugal, em termos de número de armazenamento de bagagem, tendo lançado o serviço em mais 7 locais em Portugal (tais como Sagres, Ericeira, e Évora) e contando com mais de 140 novos parceiros em Portugal só no último semestre.
Empreendedor americano, fundador e CEO da Bounce